Ameaça de Cunha faz Dilma manter Janot na Procuradoria

A ameaça do deputado Eduardo Cunha à presidente Dilma Rousseff para que ela não renove o mandato de Rodrigo Janot como Procurador Geral da República, revelada por Simone Iglesias e Paulo Celso Pereira, O Globo edição de sábado, vai inevitavelmente obrigá-la a reconduzir o chefe do Ministério Público para novo mandato de dois anos. Eduardo Cunha nega a ameaça, mas o fato é que a matéria publicada cita um diálogo seu com o Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a respeito do tema. De qualquer forma a repercussão do fato já por si funciona como um ultimato à presidente da República.

Nenhum presidente da República pode receber ameaças desse tipo, sejam de forma direta ou indireta. Assim, a iniciativa do presidente da Câmara, confirmada ou não, vai gerar logicamente o efeito contrário. Além do mais, se Cunha e Renan Calheiros afirmam-se vítimas e não culpados, por quê deveriam se opor a permanência de Janot no cargo? Não faz sentido nem para eles nem para qualquer dos acusados de modo geral, entre eles os que têm direito a foro especial e assim estão sendo investigados pelo Supremo Tribunal Federal. Claro está de forma indireta um temor que só pode ter origem num sentimento de culpa, não de inocência. Afinal de contas há uma distância enorme entre as vítimas e os culpados.

Relativamente a Renan Calheiros, O Globo também em sua edição de sábado revelou ter ele se manifestado contra a provável permanência de Janot na Procuradoria Geral da República durante almoço com o ex-presidente Lula, em Brasília, no qual esteve presente o senador Edison Lobão, ex-ministro de Minas e Energia, e um dos alvos da operação Lava Jato. Ao contrário de Cunha, Renan não desmentiu, pelo menos até agora, a versão divulgada.

Fator de preocupação

O fato é que os episódios revelam que a continuidade de Janot na chefia do Ministério Público Federal transformou-se num fator de preocupação dos acusados de modo geral. Os quais não rebatem, na maioria dos casos, o conteúdo de suas ações apontadas como duvidosas no escândalo que explodiu na opinião pública em decorrência dos assaltos em série praticados contra a economia da Petrobras. A ponto da empresa ter publicado em seu balanço a existência de um prejuízo de 6,2 bilhões de reais, em decorrência do pagamento de propinas, feito, é claro, através do aumento de preço nos contratos que serviram de base à subtração de recursos.

Mas voltando ao tema contido no título é lógico que se possa esperar uma atitude política da presidente Dilma Rousseff coerente com a dignidade de que deve se revestir o exercício da presidência da República de um país. Novo mandato para Rodrigo Janot, prosseguimento das investigações, mesmo porque o comando da Polícia Federal não depende do mandato do procurador geral da República. Isso quanto ao processo acusatório que se generalizou.

Relativamente àqueles que possuem foro privilegiado, a sequência das investigações já se encontra nas mãos do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Para os que não possuem essa perspectiva os processos encontram-se no campo de ação do juiz Sérgio Moro. É isso aí.

Balanço da Petrobras

A reportagem de Ramona Ordonez, Bruno Rosa e Daniele Nogueira, também no Globo de sábado, focalizou nitidamente os pontos principais contidos no balanço da Petrobras, relativo ao primeiro trimestre deste ano. A empresa passou do prejuízo de 22 bilhões de 2014 para um lucro financeiro de 5,3 bilhões de janeiro a março. Entretanto, no mesmo período os investimentos caíram 13% em relação ao primeiro trimestre de 2014. Os preços da gasolina e do óleo diesel foram importantes para o resultado porque houve forte queda, 50% nas importações do óleo bruto e produção nacional, também de janeiro a março deste ano atingiu 2,8 milhões de barril por dia, 10,7% a mais do que em igual período do ano passado.

Entretanto, o diretor de abastecimento da Estatal, Jorge Celestino Ramos, assinala a reportagem de O Globo, revelou ter ocorrido uma queda de 10% nas vendas de diesel e de 11% nas vendas da gasolina em decorrência da retração da atividade econômica brasileira. Registrou assim a perspectiva de uma recessão, palavra afastada dos pronunciamentos oficiais pela presidente Dilma Rousseff, principalmente depois do momento em que o ministro Joaquim Levy a substituiu por contração econômica .

Emprego e consumo

Da colocação de Jorge Celestino Ramos pode se deduzir a existência de problemas que estão envolvendo o crescimento econômico do país e, em consequência travando a expansão do mercado de emprego, o que se reflete diretamente nos níveis de consumo, como se constata facilmente. É preciso, portanto, que o país se liberte do obstáculo principal que se encontra na sua capacidade de produção. Sem aumento da produção não pode haver aumento do nível de emprego.

 
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