Ameaça de bomba em conferência do Falun Gong em Hong Kong

A conferência anual do Falun Dafa realizada em Hong Kong foi cancelada depois que a polícia recebeu relatos de ameaça de bomba.

A conferência ocorre anualmente em Hong Kong e em diversos outros países e é organizada pelos adeptos dessa prática espiritual chinesa, também conhecida como Falun Gong.

Os participantes acreditam que o incidente teve como objetivo o cancelamento do evento, já que suspeita-se que foi premeditado e forjado por um grupo vinculado à polícia secreta chinesa.

Às 9h30 da manhã do dia 17 de janeiro, mais de mil praticantes de Falun Gong de Hong Kong e da região reuniram-se no BP International Hotel, em Kowloon, para uma conferência de troca de experiências, que ocorreria ao longo do dia. Estas conferências são eventos realizados para que os praticantes de Falun Gong compartilhem seus entendimentos e aprimoramentos de caráter alcançados através do autocultivo – o cultivo é um processo de autoreflexão e esforço para o retorno à verdadeira natureza espiritual do indivíduo. Esse processo é feito através dos ensinamentos da disciplina, que tem como pilares os seguintes princípios:  verdade, compaixão e tolerância.

Pouco antes do meio-dia, a polícia de Hong Kong ordenou a evacuação do hotel, dizendo que haviam recebido uma chamada de emergência, informando que uma bomba havia sido colocada no edifício. Durante as buscas, especialistas em desativação de bombas da polícia encontraram um pacote contendo cilindros de gás e cronômetros no chão do sanitário masculino, no local onde estava em andamento a conferência. Eles descobriram que o pacote era inofensivo, e que não havia outros itens que pudessem gerar pânico.

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Durante a evacuação, os praticantes do Falun Gong foram encaminhados para o Parque Kowloon, nas proximidades, onde  esperaram cerca de seis horas até serem autorizados a voltar para o hotel. A conferência não pôde continuar, já que a polícia manteve o auditório fechado.

Kan Hung-cheung, porta-voz do Hong Kong Association Falun Dafa (Sung Cheong-pulmão / Epoch Times)
Kan Hung-cheung, porta-voz do Hong Kong Association Falun Dafa (Sung Cheong-lung / Epoch Times)

O senhor Ling, um organizador voluntário do evento, disse ao Epoch Times que ele viu um homem alto e magro, vestido de preto, carregando uma mochila preta e rondando o auditório da conferência, cerca de meia hora após o início do evento. O rapaz, que parecia ter uns 20 anos, perguntou onde era o banheiro dos homens,  e entrou e saiu cinco minutos depois. Outro organizador, o senhor Lam, avistou o rapaz no lobby do hotel pouco antes da conferência iniciar.

Ling também disse que um de seus colegas reconheceu o rapaz como sendo um membro da Hong Kong Youth Care Association, um grupo da frente comunista chinesa que tem assediado praticantes de Falun Gong em seus eventos e atividades desde 2012. Os membros da Hong Kong Youth Care Association reuniram-se do lado de fora do BP International Hotel desde o início da manhã, lançando insultos, reproduzindo gravações em altíssimo volume que acusam o Falun Gong, e segurando cartazes anti-Falun Gong.

Este grupo está intimamente associado, na China, à Agência 610, uma agência secreta do Partido Comunista  Chinês (PCC), responsável pela perseguição violenta aos praticantes de Falun Gong na China e pela campanha anti-Falun Gong em diversos países.

O porta-voz da Associação Falun Dafa de Hong Kong, Kan Hung-cheung, pronunciou-se sobre a ameaça de bomba: “Este é um caso de terror e violência do Partido Comunista Chinês, que já está atingindo Hong Kong.”

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Kan disse que o ataque forjado foi provavelmente realizado por agentes do PCC que ainda aderem à política de perseguição da prática, apoiada por Jiang Zemin, o ex-líder do regime comunista chinês que iniciou uma campanha massiva contra o Falun Gong.

Kan acrescentou: “Nós pedimos que a polícia investigue a fundo esta questão e faça justiça com aqueles que são responsáveis.”

Mr. Ling, um organizador na Conferência de 2016 de Compartilhamento de cultivo Falun Dafa, em Hong Kong, em 17 de janeiro de 2016 (Sung Cheong-lung/Epoch Times)
Mr. Ling, um organizador na Conferência de 2016 de Compartilhamento de cultivo Falun Dafa, em Hong Kong, em 17 de janeiro de 2016 (Sung Cheong-lung/Epoch Times)

Ele também pediu ao governo de Hong Kong e à comunidade internacional que prestem atenção a este incidente e defendam o acordo de “um país com dois sistemas”. Como parte do acordo para  que Hong Kong fosse transferida do domínio britânico para o chinês, em 1997, o ex-líder do PCC, Deng Xiaoping, havia concordado que a cidade portuária do sul chinês iria manter o seu sistema capitalista, continuando, portanto, a ser governada pelas leis inglesas, e tendo um “elevado grau de autonomia” para lidar com seus próprios assuntos por um período de 50 anos.

Os cidadãos de Hong Kong estão cada vez mais preocupados com o fato de que o PCC não esteja respeitando o  acordo. Este receio está baseado nos recentes desaparecimentos de cinco editores de livros da cidade. Estes editores, cujas empresas lançavam livros que não faziam jus aos principais líderes do regime chinês, eram nativos de Hong Kong e possuiam passaporte estrangeiro. Dois destes editores, Lee Bo e Gui Minhai, foram encontrados:  estão detidos e mantidos sob custódia pelo  governo chinês durante este mês.

Os membros do Legislativo de Hong Kong acreditam que a ameaça de bomba na conferência do Falun Gong possa ser outro sinal de interferência do regime chinês nos assuntos da cidade.

O parlamentar pró-democracia, Leung Yiu-chung, disse ao Epoch Times que há uma “alta probabilidade” de que a ameaça de bomba tenha sido feita para intimidar o Falun Gong, e outros grupos podem ser alvo no futuro.

Wu Chi-wai, outro legislador pró-democracia, apelou à polícia para investigar o incidente, ressaltando que a sociedade de Hong Kong não aceitará este tipo de ameaças.

Frank Fang e Larry Ong contribuíram para esta matéria

 
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