Ajuda americana ao Iraque deverá acompanhar mudanças políticas no país, diz Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na manhã de sexta-feira (13) que estuda opções para dar assistência militar ao governo do Iraque na luta contra os insurgentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Eiil). Mas ele ressaltou que a ajuda deverá ser acompanhada de mudanças políticas no país que levem à inclusão de sunitas na gestão do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que é xiita.

Obama afirmou que o apoio não incluirá o envio de tropas americanas ao Iraque, de onde elas saíram no dia 1º de janeiro de 2012, depois de nove anos de guerra. O presidente ressaltou que não acredita em uma solução militar para o conflito, aprofundado pela política de Maliki de marginalizar os sunitas desde sua chegada ao poder, em 2006.

“Na ausência de acomodação entre as diferentes facções dentro do Iraque, ações militares dos Estados Unidos ou de qualquer outra nação não vão solucionar esses problemas no longo prazo e trazer estabilidade necessária”, declarou Obama. “Os Estados Unidos não vão se envolver em uma ação militar na ausência de um plano político dos iraquianos que nos dê alguma segurança de que eles estão preparados para trabalhar juntos”.

Segundo Obama, o governo do Iraque resistiu inicialmente à oferta americana de aumentar sua assistência militar, mas acabou reconhecendo sua necessidade diante da rápida deterioração da situação no país e do avanço do Eiil: “As forças de segurança do Iraque se mostraram incapazes de defender várias cidades”. O avanço do Eiil não representa uma ameaça apenas para o Oriente Médio, mas também ao pessoal americano no Exterior e, eventualmente, ao próprio país, ponderou Obama, ecoando o temor de que a organização possa cometer atentados terroristas nos Estados Unidos.

Obama disse que a decisão sobre o tipo de ação militar a ser adotada não será tomada da “noite para o dia”. O presidente quer ter certeza de que qualquer operação seja “precisa”, tenha “alvos” definidos e tenha impacto. Existe o temor no governo americano de que ações mal planejadas acabem provocando a morte de grande número de civis.

Analistas acreditam que a opção mais provável é o bombardeio aéreo. O fato de que soldados iraquianos estão abandonando seus postos sem exercer resistência aos encapuzados do Eiil é um sintoma dos problemas políticos do país, afirmou Obama. “Os Estados Unidos deram muito dinheiro para as forças de segurança do Iraque e nos dedicamos a treiná-las”, lembrou. A ausência de disposição de luta, ponderou, “indica que há um problema de moral, de comprometimento, que tem origem nos problemas políticos que afetam o país há muito tempo”.

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