Advogados presos na China por defender praticantes do Falun Gong

Quatro proeminentes advogados foram detidos na sexta-feira na China por tentar libertar praticantes do Falun Gong detidos num centro de lavagem cerebral.

Os advogados Jiang Tianyong, Tang Jitian, Wang Cheng e Zhang Junjie foram detidos por agentes de segurança depois de serem seguidos até o hotel, e agora estão sob custódia em Jiamusi, província de Heilongjiang. Vários parentes de praticantes do Falun Gong presos foram detidos junto com os advogados.

Dois dos advogados, Jiang Tianyong e Tang Jitian, foram sentenciados a 15 dias de detenção administrativa (sem julgamento ou audiência) por “usar atividades de culto para pôr em perigo a sociedade”. Não está claro onde eles ficarão detidos.

Após a perseguição ao Falun Gong começar em 1999, as autoridades chinesas atacaram-na com propaganda e rótulos negativos a fim de convencer a opinião pública e incitar o ódio na população contra a disciplina espiritual. Ao longo dos anos 1990, a prática tornou-se extremamente popular, reunindo mais de 70 milhões de praticantes com sua mistura de exercícios suaves e meditação e no cultivo dos princípios da verdade, compaixão e tolerância.

Os quatro advogados foram levados por mais de 10 agentes de segurança, um dia antes de eles moverem uma ação contra a Procuradoria de Jiansanjiang pela detenção ilegal dos praticantes no centro de lavagem cerebral Qinglongshan, uma prisão negra, que é afiliada à Secretaria de Reclamação de Terras de Heilongjiang. Esta foi a terceira vez que os advogados e familiares foram ao centro de lavagem cerebral tentando libertar os praticantes. A instalação extralegal é operada sem supervisão oficial e localizada atrás da Secretaria de Segurança Pública.

Respondendo ao sequestro dos advogados, mais de 100 advogados de direitos e centenas de cidadãos preocupados divulgaram um comunicado condenando seu confinamento, que está em circulação na internet.

Advogados de defesa dos direitos humanos que lidam com casos do Falun Gong têm sido perseguidos da mesma forma como os adeptos que procuram defender, segundo o advogado Li Fangping. “Este é um novo desenvolvimento e um novo desafio”, disse ele, segundo uma postagem no blog de Joshua Rosenzweig, um pesquisador de direitos humanos de Hong Kong. Li disse que vários advogados viajaram para Jiamusi para interceder junto às autoridades de segurança pública de lá.

Esta não é a primeira vez que advogados tentam libertar praticantes do Falun Gong detidos em centros de lavagem cerebral. No ano passado, um grupo de advogados, incluindo Jiang e Tang, foi espancado no Centro de Educação Legal de Er’ehu, província de Sichuan, e foram detidos durante a noite.

“Acabamos de chegar ao centro de educação legal e não esperávamos que eles fossem tão agressivos e violentos. Eles saltaram sobre nós e começando a nos bater. Mais tarde, eles nos levaram para um bloqueio local da polícia – havia muitos policiais à paisana e oficiais da segurança interna lá. O tempo todo eles foram extremamente violentos”, disse Jiang ao Epoch Times numa entrevista.

Jiang Tianyong, um cristão, tem se especializado em casos de perseguição religiosa, e foi detido, impedido de viajar e expulso da ordem de advogados na China. Ele testemunhou numa audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos EUA em 2009 sobre o “nível de assédio, supressão e perseguição, pois servimos como advogados de defesa em casos de salvaguarda da liberdade de crença religiosa”.

Tang Jitian também foi detido e perdeu a licença para advogar devido a seu trabalho de defesa pelos praticantes do Falun Gong, pelas vítimas de leite contaminado com melamina e outros casos de direitos humanos. Em 2011, ele foi detido e torturado, e então colocado em prisão domiciliar.

Wang Cheng foi fundamental para o lançamento de uma campanha de assinaturas online pedindo a Pequim que ratifique o Pacto Internacional das Nações Unidas sobre os Direitos Civis e Políticos. Ele também foi detido por seu ativismo.

Zhang Junjie de Shandong trabalhou com Jiang Tianyong no caso do ativista Xue Mingkai, cujo pai morreu em circunstâncias suspeitas. “Esta incriminação sem substância é um grave abuso de poder e uma violação da lei – um sério desastre para o estado de direito, que espezinha os direitos humanos”, escreveram os autores da declaração de condenação.

 
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