Advogado dissidente chinês Chen Guangcheng consegue três novos trabalhos

Chen Guangcheng com sua esposa Yuan Weijing antes de uma conferência de imprensa em Washington DC (Jewel Samad/AFP/Getty Images)
Chen Guangcheng com sua esposa Yuan Weijing antes de uma conferência de imprensa em Washington DC (Jewel Samad/AFP/Getty Images)

Após meses de incerteza, Chen Guangcheng, um advogado chinês cego e ativista dos direitos humanos, que conseguiu refúgio nos Estados Unidos no ano passado, conseguiu três posições em instituições acadêmicas, de defesa e políticas nos EUA, conferindo-lhe uma plataforma firme para continuar seu ativismo pelos direitos humanos e a democracia na China.

O anúncio foi feito no National Press Club em 2 de outubro por três organizações afiliadas: a Universidade Católica da América; o Instituto Witherspoon, um grupo de reflexão conservador de Nova Jersey; e a Fundação Lantos para os Direitos Humanos e a Justiça, sediada em New Hampshire. Seus patrocinadores se recusaram a discutir os detalhes financeiros.

Em abril de 2012, Chen Guangcheng escapou de sua casa rural, que vivia sob estrita vigilância, e fez seu caminho até a embaixada dos EUA em Pequim. As negociações entre as autoridades chinesas e o Departamento de Estado dos EUA foram extremamente tensas, segundo todos os relatos, e resultaram em Chen assumindo uma vaga na Universidade de Nova York (NYU) no mês seguinte.

Essa relação terminou asperamente em junho passado, com Chen dizendo que a universidade estava sob pressão do Partido Comunista Chinês (PCC) para expulsá-lo. Chen disse que era grato “a todo o tipo de assistência e cuidados” oferecido pela Universidade de Nova York e pelo professor Cohen. “Minha família e eu queremos expressar nossa sincera gratidão… obrigado aos gentis americanos.”

Respondendo a uma pergunta, Chen também comentou: “Acho que todos devem estar atentos para a ameaça que o PCC representa para o mundo livre… não apenas para a academia, mas também para outras partes da sociedade.” E sustentou que a NYU estava sendo pressionada.

Após a separação pública de Chen da NYU, Jerome A. Cohen, um especialista jurídico chinês e professor na universidade, que ajudou Chen em sua estadia na instituição, sugeriu que Chen estava sob a influência de interesses políticos conservadores nos Estados Unidos. Uma oferta que Chen recebeu para assumir um cargo na Faculdade de Direito Fordham foi posteriormente retirada.

Na conferência de imprensa na quarta-feira, Chen disse que “os direitos humanos ultrapassam a política partidária e são maiores do que as fronteiras nacionais”.

John Garvey, o reitor da Universidade Católica, disse que as instituições que agora apoiam Chen “realmente não se encaixam numa descrição imediatista”. A Universidade Católica é apartidária e a Fundação Lantos foi fundada pelo congressista democrata Tom Lantos, disse Garvey.

Chen não deixou claro exatamente que tipo de trabalho ele estaria envolvido em suas novas posições. Ele será um Membro Visitante Distinto na Universidade Católica, um Membro Visitante Distinto em Direitos Humanos no Instituto Witherspoon e um Conselheiro Sênior Distinto na Fundação Lantos.

Por meio de um tradutor, Chen disse: “Com o apoio e a ajuda de inúmeros americanos de bom coração, tenho a certeza de que as sementes da liberdade e da democracia criarão raízes na China, germinarão e, eventualmente, frutificarão esplendidamente.”

 
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