Ações do Facebook vão de mal a pior

Ações judiciais e performance ruim no mercado de ações marcam o primeiro ano de negociações
Um painel digital da bolsa de valores NASDAQ em Times Square anuncia a IPO do Facebook (Emmanuel Dunand/AFP/Getty Images)

Faz pouco mais de um ano desde que o Facebook, a empresa de rede social, fez sua estreia no mercado de ações. Desde então, suas ações têm estado principalmente em queda, seja para a empresa, corretores, investidores ou para as bolsas de valores em que negocia.

Após muito alarde e demanda esmagadora de investidores, o preço da oferta pública inicial (IPO) do Facebook subiu até US$ 38 na noite anterior a sua estreia. A primeira negociação que ocorreu na manhã de 18 de maio ainda foi 4 dólares acima do preço de IPO, mas o estoque logo mudou seu curso.

Depois de fechar em 38,23 dólares no primeiro dia de negociação, as ações do Facebook (NASDAQ: FB) caíram mais de 53%, para 17,55 dólares em 4 setembro de 2012. Pessoas informadas no meio venderam suas cotas e um público desiludido seguiu o exemplo. O estoque recuperou algum terreno para 23,10 dólares em 4 de junho, mas ainda negocia 39% abaixo do preço de IPO. O que é pior, o índice composto da NASDAQ está supervalorizado em 16%, então, na verdade, o Facebook está tendo uma performance insatisfatória de 55%.

Investidores pequenos e institucionais foram prejudicados pela IPO e a reputação das seguradoras de ações também sofreu. Os padrões de preço e volume de negociações nos primeiros dias sugerem que os corretores que lançaram a IPO (Morgan Stanley, Goldman Sachs, entre outros) compraram lotes de ações para sustentar o preço e evitar um desastre de publicidade. Mas eles não evitaram o desastre e acabaram numa posição perdedora em seus livros.

Alguns analistas, no entanto, consideram que o mau desempenho é uma fase de transição normal para uma IPO de tecnologia que estava muito cara.

“O Facebook está passando pelo mesmo processo de amadurecimento que passaram muitas empresas de tecnologia que cresceram rapidamente. É uma transição de hipercrescimento para crescimento estável e os ‘múltiplos’ – o preço que os investidores estão dispostos a pagar pelas ações em relação aos ganhos da empresa – das ações está caindo em conformidade”, sugere um artigo de 30 de maio no website do Yahoo Finance.

Processos judiciais

Outras questões, no entanto, não são parte apenas do processo normal de crescimento.

Em 23 de maio de 2013, Robbins Geller Rudman & Dowd LLP, uma firma de advocacia especializada no mercado de valores, tem representado com sucesso clientes de alto perfil em ações judiciais coletivas, entrando com uma ação civil contra o Facebook Inc., seu fundador Mark Zuckerberg e vários executivos seniores e agentes seguradores, incluindo Morgan Stanley e Goldman Sachs. A ação está publicada no website Business Insider.

A denúncia diz que os agentes seguradores sonegaram informações sobre a IPO do Facebook. A declaração de registro e prospectos conteriam declarações falsas que afetaram materialmente a decisão dos investidores.

Além disso, os agentes seguradores Morgan Stanley, J.P. Morgan e o Goldman Sachs Group Inc. reduziram suas previsões de lucros e informaram apenas alguns clientes específicos pouco antes da IPO. Na mesma época, o Facebook reviu seu prospecto, sugerindo um crescimento de sua receita possivelmente menor.

As pessoas que compõem a ação coletiva foram prejudicadas, comprando ações do Facebook por US$ 7 acima do que seria recomendado e sofrendo uma perda acumulada de US$ 2,5 bilhões como resultado, segundo a ação judicial.

NASDAQ, a maior penalizada

No entanto, não apenas agentes seguradores e investidores foram prejudicados.

Em 29 de maio de 2013, o órgão regulador Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA acusou a NASDAQ e a NASDAQ Execution Services (NES) de violar as leis de títulos na condução da IPO do Facebook e multou em US$ 10 milhões a empresa, a maior multa já atribuída contra uma bolsa de valores. A NASDAQ concordou em pagar sem admitir ou negar qualquer culpa.

O anúncio da SEC acusou a NASDAQ de estar despreparada para uma IPO enorme e de tomar decisões pobres em face das dificuldades técnicas que resultaram em violações das leis de títulos.

No cerne da questão estavam limitações no sistema da NASDAQ que impediram a correspondência de requisições de compra e venda em tempo hábil. Então, sem entender a raiz do problema técnico que enfrentava, a NASDAQ apressadamente permitiu a negociação em mercados secundários, como no New York Stock Exchange, o que resultou em 30 mil ordens por ações do Facebook presas por mais de duas horas na manhã do IPO, quando elas deveriam ter sido executadas ou canceladas.

A SEC também acusou a NASDAQ de usar uma conta não autorizada para assumir uma posição melhor com 3 milhões de ações do Facebook. “Posteriormente, a NASDAQ cobria aquela posição lucrando aproximadamente US$ 10,8 milhões”, segundo um comunicado da SEC.

Enquanto o Facebook cresce em popularidade entre a clientela de mídia social do mundo, ele deixa muito a desejar quando se trata de suas ações.

Epoch Times publica em 35 países em 21 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT

 
Matérias Relacionadas