Abordagem da medicina chinesa na cólica menstrual

A dismenorréia ou cólica menstrual refere-se à dor que ocorre antes, durante ou após o período menstrual. A dor pode se manifestar no abdome inferior ou na região sacral. Outros sintomas associados são: cefaleia, enxaqueca, perturbação gastrointestinal, labilidade emocional, irritabilidade, desconforto ocular com sensibilidade à luminosidade.

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A medicina chinesa considera que se o Qi (energia) flui, o sangue e os fluídos orgânicos circularão corretamente, dessa forma não haverá o aparecimento de dores ou disfunções. Se o Qi por algum motivo deixar de circular normalmente, o sangue não fluirá adequadamente provocando dores, no caso da dismenorréia irá desencadear a manifestação da cólica menstrual e os sintomas associados da T.P.M. (tensão pré-menstrual).

O fígado é o órgão responsável pela drenagem e dispersão de sangue em nosso organismo. Se houver uma estase do Qi do fígado, o sangue não fluirá livremente causando dor. Esse órgão também tem uma importante correspondência com o nosso psiquismo. É representado simbolicamente através do elemento madeira, um símbolo de crescimento e expansão em todas as direções. O fígado pode ser afetado quando a nossa expansão não é permitida ou reprimida, como na depressão, em sentimentos de  frustração e inconformidade. Os movimentos ou bloqueios na mente irão repercutir em nosso corpo físico, pois não somos compostos meramente de sistemas interligados, mas também de instâncias que se interpenetram mutuamente (corpo/mente/espírito).

É interessante notar que a estagnação do Qi do fígado é capaz de produzir uma miríade de sintomas, porém no período menstrual resume-se a cólicas e enxaqueca. Por trás dessa sintomatologia existe uma ampla possibilidade de questões ligadas à feminilidade e o papel da mulher bem como a sua evolução nos dias atuais. As mulheres tornaram-se mais competitivas, promoveram mudanças biopsicocomportamentais em um curto período de tempo. As características de suavidade, receptividade e não-resistência parecem estar cada dia mais distantes da mulher moderna. A busca pela “igualdade” tem anulado gradualmente as características da dualidade que se expressa em toda a natureza. A rigidez em não querer atravessar um processo “natural”, o uso de artifícios para deter, controlar e se puder “paralisar” a menstruação, revela a dificuldade em conciliar-se com a sua própria natureza, de entregar-se às “regras”, à sua sexualidade, ao homem. As propagandas bombardeiam informações sobre produtos que promovem a “independência”, permitindo-lhes fazer tudo o que desejarem, independente do dia do mês. É dessa forma que a mídia explora as mulheres, continuar sendo mulheres sem estar de acordo com o que acarreta ser mulher. Algumas mulheres sofrem dores durante o período menstrual porque pensam que é doloroso ser uma mulher. Obviamente esse pensamento é subconsciente, caso fosse consciente não necessitaria revelar-se fisicamente através de cólicas. Não é minha pretensão lançar polêmica sobre o papel das mulheres e dos homens na sociedade, porém existem diferenças físicas, energéticas, psicológicas e estruturais que os diferenciam.  O sofrimento reside em não aceitar as disposições inatas e lutar pela transformação contrária à natureza.

A tensão emocional é um fator causal importante na dismenorréia. Sentimentos de raiva, frustração, ressentimento e ódio podem causar estagnação do Qi do fígado. Essa estagnação faz com que o sangue não consiga fluir causando períodos menstruais doloridos. Nesses casos o fitoterápico Su Gan Wan, restaura o fluxo do Qi do fígado aliviando a dor e os sintomas associados. Caso não encontre esse fitoterápico chinês, o chá de alcachofra também move o Qi do fígado estagnado.

Exposição ao frio e umidade também pode gerar cólica menstrual. A dor nesse caso é fixa, não tão intensa, porém de longa duração. A mulher que sofre esse tipo de cólica prefere deitar-se encolhida e procura aquecer o baixo ventre. Decocção de casca de canela e pílulas de gengibre seco aliviam instantaneamente esses sintomas.

Fatores como esgotamento ou doença crônica enfraquecem o organismo e principalmente os rins e o baço/pâncreas gerando deficiência de fluídos orgânicos e sangue. Nesse caso a estagnação deve-se à insuficiência. É preferível revigorar através da dietoterapia, fitoterapia e exercícios bionergéticos como qigong, taijiquan, yoga.

Atividade sexual excessiva também prejudica o fígado e os rins, bem como um número grande de partos (com pouco intervalo de tempo entre uma gestação e outra).
Outras causas possíveis que devem ser investigadas são a possibilidade de miomas uterinos e endometriose.

O tratamento através da acupuntura e fitoterapia chinesa proporcionam resultados excelentes nos quadros de dismenorréia e a grande maioria dos casos pode ser completamente curada. Quando a dismenorréia for acompanhada de outras alterações orgânicas como miomas, cistos e endometriose o tratamento será mais longo do que o tratamento da dismenorréia funcional.

 
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