A imbecilização da cultura

Por Alex Pipkin, Instituto Liberal

Não há como não se revoltar. Inexiste qualquer possibilidade, por mínima que seja, de não se tornar um aguerrido soldado contra a destruição dos valores civilizacionais judaico-cristãos e da genuína sabedoria acumulada da humanidade. Valores, inteligência e esforço contínuo conduziram a humanidade para a trilha do desenvolvimento econômico, social e cultural. Inegável.

Evidente que este progresso é resultado de mentes brilhantes e de homens – e mulheres – corajosos que colocaram a ação humana para trabalhar em prol do bem comum. Em toda a história civilizacional, sempre imperaram opiniões divergentes, conflitos e dissidências; porém, afora o obscurantismo de períodos ditatoriais e de regimes totalitários, nas democracias liberais, nunca houve, como agora, a orquestração nefasta, burra e contraproducente da tentativa de destruir, de calar e de obstruir a cultura – portanto, a vida – real e inteligente, por parte de semianalfabetos e “progressistas” intolerantes e inexperientes, disfarçados sob o véu da justiça social.

Há em partes importantes do mundo, como nos EUA e em alguns países europeus, um movimento de intelectuais e de professores desafiando cânones tradicionais na literatura, nas artes, na música, enfim, tendo como objetivo “tornar o mundo um espaço mais inclusivo, representativo e equitativo”. Como não poderia deixar de ser, os tupiniquins interessados o mimetizaram por aqui.

Quanta burrice e ideologia fanática! A história não se apaga, ela serve de exemplo daquilo que foi positivo e produtivo, e daquilo que foi equivocado e que produziu efeitos que devem ser eliminados e aperfeiçoados. Não dá para mudar o mundo!

Absolutamente tudo na cabeça desses puritanos da moral superior, representa uma visão distorcida do inconsciente freudiano, que ocasionalmente envia à superfície suas bolhas – sonhos simbólicos, lapsos de língua, estranhos maneirismos – que podem ser decodificadas, para revelar nossas intenções racistas, misóginas, homofóbicas, entre outras.

Assim, para esses justiceiros sociais – moralmente puros -, não só aqueles que se encontram numa situação de poder, mas todos somos impuros, e, portanto, em algum momento manifestaremos nosso comportamento pecaminoso. Escassez de estudo, inteligência, equilíbrio e experiências.

Primeiro, porque muito mais verdadeiro é que o nosso ser consciente de nossas intenções e ações no dia a dia, trivialmente, sobrepõe-se ao inconsciente. Segundo, porque aquilo que separa a mim e outros desses meninos e meninas e de outros adultos infantilizados é a virtude do equilíbrio e do autocontrole – como doutrinava Aristóteles -, no sentido de se saber ponderar e de não deixar que os nossos instintos e emoções monopolizem nossas decisões.

Que verdadeira tragédia que estamos presenciando! Eles querem refazer hinos, pois enxergam fantasmas de racismo por suas inépcias; eles querem varrer das escolas Jorge Amado e tantos outros; eles querem cancelar o gênio de Shakespeare, e de uma série de outros prodígios que nos estimularam a pensar e a aprender, sempre sob o pretexto do protagonismo da supremacia branca, excludente de outras vozes, e do apogeu da violência, do racismo e da misoginia.

Tudo, absolutamente tudo, para essa turma, simboliza a vida de pessoas marginalizadas e a opressão. Essa loucura analfabeta desses muitos meninos e meninas que ainda não tiraram as fraldas logra ser pior; esta tragédia é avalizada pelas autoridades estatais. Sim, eu sei, claro que essas autoridades são despreparadas e populistas. Essas tribos primitivas não conseguem separar o joio do trigo, o pensamento está sempre fixo na opressão.

Essa gente não alcança compreender que o mundo nasceu mundo baseado em hierarquias e que, por alguma razão – e existem vários autores que explicam esta circunstância, p.e., Jared Diamond, Joseph Henrich – com europeus, homens brancos, cisgêneros, liderados pela classe alta.

Não podemos compactuar com imbecis que querem jogar na lata do lixo a verdadeira cultura, uma vez que veem resquícios de preconceitos por todos os lados, por vezes, pela simples fisionomia dos autores envolvidos. O que salta aos olhos são a mediocridade e os sentimentos de ódio e de vingança desses relativistas culturais, que também desejam equiparar toda a cultura da periferia (e claro que há coisas boas), a cultura universalmente considerada como de qualidade objetiva.

Esta brincadeira séria acabará tornando o progresso social genuíno menos provável. Estamos cada vez mais criando diferenças no seio da sociedade, mais rixas promotoras de atritos, mais desconfianças e mais paranoias em relação ao outro, além de mais culpas, o que sem dúvida obstaculiza a compreensão mútua de nossas semelhanças e o respectivo convívio harmônico, baseado em cidadania.

Sim, somos seres complexos e imperfeitos, que nos distinguimos pela nossa capacidade cognitiva e pela racionalidade, pelo nosso caráter e por nossas ações efetivas. Fantasmas, bruxas malvadas, ogros existem, mas nós os controlamos… Parafraseando Churchill, a tarefa de construir pode ser lenta e difícil, uma tarefa de anos, enquanto destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia.

Essa é a destruição que vem sendo construída e promovida há décadas em nossa cultura e que se acelerou e tornou-se ostensiva em tempos recentes. Necessitamos combatê-la!

 

As Opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times

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