983 praticantes do Falun Gong foram julgados e 635 condenados em 2014

O 15º ano da perseguição ao Falun Gong pelo Partido Comunista Chinês (PCC) teve 6.415 praticantes detidos em 2014, o que representa um salto de 29,8% em relação ao ano anterior.

O ano passado também testemunhou a morte de 91 praticantes do Falun Gong, como resultado da perseguição e da detenção de 969 praticantes em centros de lavagem cerebral extralegais, de acordo com dados coletados pelo site Minghui em 2 de janeiro de 2015.

Em comparação com os dados de 2013, o número de praticantes julgados ilegalmente e enviados para centros de lavagem cerebral em 2014 aumentou de 23,5% para 31,5%. Esta tendência de alta coincide com o encerramento dos campos de trabalho forçado pelo PCC, devido a pressão internacional no final de 2013.

983 julgados, 635 condenados

Entre os 983 praticantes julgados em 2014, 635 receberam uma pena de prisão pelo tribunal, com pelo menos 65 (10,2%) condenados a sete anos ou mais. A grande maioria está à espera de um veredito.

Três praticantes foram condenados a 12 anos de prisão, incluindo o sr. Wen Jiguo (文继国) da província de Guizhou, o sr. Jin Junbo (靳军波) da província de Liaoning e o sr. Wang Jizhou (王纪州), de 73 anos, da província de Henan.

A sentença média para cada praticante é cerca de 4 anos.

Em 2014, 20 das 30 províncias e regiões autônomas da China apresentaram um aumento de praticantes condenados. A província de Liaoning teve o maior número de praticantes condenados em ambos, 2013 e 2014. Os 196 praticantes condenados em 2014 na província de Liaoning equivalem a 19,9% de todos os praticantes condenados naquele ano, o que é cerca de 2,7 vezes o segundo maior número, de 73, na província de Shandong.

As províncias de Hebei, Sichuan e Heilongjiang foram classificadas no terceiro a quinto lugar, respectivamente, na lista das províncias que sentenciaram o maior número de praticantes.

Algumas regiões, como as províncias de Guizhou e Hunan, tiveram um percentual significativo de praticantes condenados a 7 anos ou mais (25% e 19,4%, respectivamente).

Praticantes perseguidos até a morte enquanto cumpriam suas penas

Enquanto cumpriam as penas nas prisões ou aguardavam julgamento em centros de detenção, quatro praticantes foram mortos como resultado da tortura brutal.

Num caso, durante a realização de uma cirurgia intestinal na sra. Xu Chunxia (徐春霞), que foi torturada na Prisão Feminina de Liaoning durante o seu mandato de quatro anos por distribuir panfletos do Falun Gong, a praticante descobriu que seus intestinos haviam apodrecido e grudado e que havia um nódulo duro dentro. Os médicos não puderam fazer mais nada por ela e simplesmente fecharam novamente seu ventre.

A sra. Xu logo faleceu em 2 de dezembro de 2014. Sua família foi ameaçada pelas autoridades para não divulgar a notícia de sua morte ao site Minghui.

Os outros três praticantes perseguidos até a morte incluem o sr. Liu Zhanhai (刘占海), um praticante de Heilongjiang condenado a quatro anos por fazer os exercícios do Falun Gong em público; o sr. Liu Liyan (刘立炎), um praticante de Hunan condenado a 3,5 anos por distribuir literatura relacionada ao Falun Gong e a sra. Huang Wenqin (黄文琴), uma praticante da província de Jiangsu condenada a quatro anos pelo Tribunal de Justiça da cidade de Liyang em 4 abril de 2014.

Drogas psiquiátricas e colapsos mentais

A sra. Li Yanxia (李彦霞) sofreu um colapso mental em apenas alguns dias depois de ter sido levada para a Prisão Feminina de Tianjin para um mandato de cinco anos por praticar o Falun Gong.

A sra. Sun Guozhong (孙国中) tinha acabado de se recuperar de um colapso mental devido à perseguição que sofreu no passado por praticar o Falun Gong quando foi presa novamente em junho de 2014 e condenada a 20 meses de prisão, em setembro. As autoridades torturaram-na no Centro de Detenção nº 1 em Qinhuangdao; ela ficou acorrentada numa posição extenuante em 15 de dezembro de 2014. Ela experimentou um outro colapso mental como resultado.

O sr. Zhang Wenlong (张文龙), 57 anos, foi condenado a uma pena de três anos e enviado diretamente para a prisão 15 dias depois de ser capturado em 18 de fevereiro de 2014. Quando a família foi visitá-lo em 13 de outubro de 2014, ele estava incoerente e não conseguiu reconhecê-los. A prisão rejeitou o pedido de seu filho para colocá-lo em liberdade condicional médica.

Sua família suspeita que a prisão administrou psicotrópicos no sr. Zhang, uma tática comum usada pelos guardas, que estão sob pressão para cumprir as cotas de extrair depoimentos dos praticantes renunciando à sua crença no Falun Gong, inclusive sob estado mental alterado.

Esteio da sociedade perseguido por suas crenças

Muitos dos praticantes condenados ilegalmente eram empresários, professores universitários, oficiais militares, artistas, escritores, juízes e policiais.

O sr. Gao Yumin (高 雨 民), um praticante do Falun Gong e um policial, ficou em condição crítica na Prisão nº 1 de Liaoning após ser condenado a 3,5 anos, apenas por resistir a manter sua crença, em 14 de março de 2014.

Também em Liaoning, o sr. Wang Renguo (王仁国), um professor universitário, foi condenado a 3,5 anos de prisão por enviar artigos sobre a perseguição ao Falun Gong a uma mídia de idioma chinês fora da China. Ele foi acusado de “incitar a subversão do poder do Estado”.

Dentro de um tribunal improvisado no Centro de Detenção de Naxi, o Tribunal Popular Intermediário de Luzhou realizou o segundo julgamento do sr. Li Yanjun (李延钧) e do sr. Yang Taiying (杨太英) em 17 de novembro de 2014.

Para impedir que os membros da família dos praticantes e o público participassem do julgamento, as autoridades montaram três postos de fiscalização na rua que leva ao centro de detenção, com cerca de uma centena de guardas do governo. O juiz adiou o julgamento sem anunciar a decisão de manter ou destituir os 4 e 4,5 anos de sentença dadas aos praticantes em maio de 2014 pelo tribunal menor.

 
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