6.415 praticantes do Falun Gong foram presos em 2014 na China

O encerramento dos campos de trabalho do regime comunista chinês devido à pressão internacional no final de 2013 foi seguido por um aumento de 29,8% no número de praticantes do Falun Gong detidos em 2014, de acordo com dados coletados pelo Minghui.org desde 5 de janeiro de 2015. No nível provincial, 23 das 30 províncias e regiões autônomas da China presenciou um aumento nas prisões em 2014.

Em comparação com as 4.942 prisões confirmadas em 2013, no ano passado, 6.415 praticantes foram levados em custódia pela polícia por sua crença, uma média de 18 praticantes por dia.

Entre os 6.415 praticantes presos, 3.941 (61,4%) foram presos em conjunto com pelo menos um outro praticante; 21,3% foram presos em grupos de dois; 21% em grupos de três a cinco e 19% em grupos de seis ou mais. A maior prisão em grupo envolveu mais de 100 praticantes da província de Jiangsu, em setembro de 2014.

As prisões atingiram seu auge em abril e julho de 2014, conforme mostrado na Figura 2. Este padrão coincidiu com dois aniversários de “datas sensíveis” previstas pelo Partido Comunista: 25 de abril (quando os praticantes do Falun Gong realizaram um apelo pacífico fora do complexo do governo central) e 20 de julho (quando o PCC começou a sua campanha nacional contra a prática).

As prisões ocorreram em toda a China. A província de Shandong deteve a maioria das prisões dos praticantes (813; 12,7%), seguida das províncias de Liaoning (640; 10%) e Jilin (635; 9,9%).

Detenções em grupo precedidas de rastreamento e vigilância

Ao contrário das detenções individuais onde o praticante é preso na rua quando estiver conversando com o público sobre a perseguição ao Falun Gong, a maioria das prisões em grupo foram premeditadas – principalmente pela Agência 610 (uma agência extralegal criada especificamente para erradicar o Falun Gong) – e muitas vezes precedida por planejamento meticuloso e meses de vigilância.

Em 17 de agosto, 42 praticantes foram presos em Cangzhou, província de Hebei, ao compartilhar suas experiências sobre praticar o Falun Gong. Mais tarde, foi confirmado que o pessoal da Agência 610 de Cangzhou estava monitorando os praticantes enquanto estavam se preparando para o encontro.

Entre os 42 praticantes presos, a sra. Li Li estava sob vigilância desde 2013. No chassis de seu carro, a sra. Li encontrou um dispositivo de rastreamento com luzes piscando em vermelho e verde. Dois dias depois ela tirou-o e colocou-o no seu porão, a polícia saqueou sua casa.

A maior apreensão de mais de 100 praticantes ocorreu em 17 de setembro de 2014, em Lianyungang, província de Jiangsu. A polícia invadiu as casas dos praticantes e apreendeu seus livros do Falun Gong, computadores, impressoras e outros materiais relacionados ao Falun Gong. Foi relatado que a Agência 610 de Jiangsu estava por trás dessa prisão maciça. Mais de 500 policiais foram enviados duas semanas antes das prisões para monitorar os praticantes.

A maioria das prisões em grupos de mais de 20 praticantes ocorreu entre junho e outubro. Vários grupos de praticantes foram levados diretamente para centros de lavagem cerebral após detenção, incluindo os mais de 30 praticantes de Tonghua, província de Jilin, detidos em 2 de setembro e os 27 praticantes de Hefei, província de Anhui, detidos em 21 de outubro.

Vale a pena notar que este período coincidiu com o pico de julho a outubro no número de praticantes enviados a centros de lavagem cerebral em 2014.

Detenções próximas às ‘datas sensíveis’ – arquivos que vazaram revelam política centralizada de perseguição

Em março, o número de praticantes presos começou a aumentar, atingindo o pico em abril e julho.

A intensificação das prisões ocorreu próximo às “datas sensíveis” do regime comunista, incluindo aniversários significativos, tais como os já mencionados 25 de abril e 20 de julho, bem como o dia 13 de maio, aniversário da introdução do Falun Gong ao público.

O aumento das prisões também foi relatado antes de eventos políticos importantes, como o Congresso Nacional do Povo e a Cúpula da APEC.

Num aviso urgente interno que vazou da Agência 610 de Sichuan, emitido em 23 de abril de 2013, forças policiais extras foram mobilizadas para prender e monitorar os praticantes do Falun Gong próximos às datas de 25 de abril e 13 de maio.

O anúncio mencionou que os praticantes em Sichuan estiveram apresentando ativamente relatórios de perseguição aos meios de comunicação estrangeiros, como o Minghui.org, e que os praticantes divulgaram mensagens como “Falun Dafa é bom” em postes na cidade de Zigong entre 26 de março e 3 de abril de 2013.

Em 9 de junho de 2014, a Agência 610 da Mongólia Interior emitiu um “aviso confidencial” [o painel esquerdo mostrado na imagem abaixo] ordenando as autoridades locais para “recolher os nomes dos praticantes do Falun Gong na Mongólia Interior”.

O aviso exigia que comitês municipais, residenciais e locais apresentassem as suas listas de nomes até 10 de julho de 2014 e as prefeituras, antes de 15 de julho de 2014, poucos dias antes da “data sensível” de 20 de julho.

A Agência 610 enfatizou o uso de sistemas de informação da polícia para conseguir “precisão” na “batalha contra o Falun Gong”.

O aviso também destacou “controle rigoroso sobre a confidencialidade e prevenção de vazamento de informações”, bem como “prevenção contra geração de efeitos negativos sobre a sociedade”.

 
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