Mais de 500 associados do ex-chefe da segurança são detidos após sua prisão

O regime chinês queria construir um caso contra o ex-chefe da segurança pública Zhou Yongkang. Durante as investigações, eles descobriram mais do que esperavam.

Zhou Yongkang foi recentemente expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) por uma longa lista de crimes e agora está sendo submetido à investigação judicial pela Suprema Procuradoria Popular, o escritório máximo do Ministério Público do PCC.

Apesar da expulsão de Zhou Yongkang ter sido anunciada oficialmente em 5 de dezembro, o Comitê Central de Inspeção Disciplinar (CCID) revelou anteriormente a notícia em 12 de novembro aos comitês provinciais do PCC, segundo a publicação Cheng Ming de Hong Kong. De acordo com documentos do CCID, o caso de Zhou é complexo e envolve várias e graves questões.

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Os documentos também dizem que 521 dos associados de Zhou Yongkang foram detidos em novembro. Treze pessoas escaparam da detenção porque fugiram do país ou desapareceram. Estes incluem Xiao Xia, a tia de Zhou; Liang, o assistente pessoal de Zhou; e três de suas amantes.

Pouco antes, a mídia de Hong Kong reportou que mais de 200 funcionários assistentes de comitês provinciais do PCC e de escalões superiores estão direta ou indiretamente associados a Zhou Yongkang. Esses funcionários foram pessoalmente promovidos por Zhou ou por sua rede e facção política, os quais formaram laços estreitos entre si por interesses mútuos.

A expulsão de Zhou Yongkang é o mais recente desenvolvimento numa contínua luta pelo poder entre duas facções, uma liderada pelo atual líder chinês Xi Jinping e outra liderada pelo ex-líder Jiang Zemin.

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Zhou Yongkang começou a ser observado atentamente por Xi Jinping dois anos atrás, por ter apoiado Bo Xilai, um ex-membro do Politburo que atualmente cumpre prisão perpétua. Zhou Yongkang e Bo Xilai são aliados de Jiang Zemin e supostamente integrariam o Comitê Permanente do Congresso Popular Nacional durante o 18º Congresso do PCC em 2012, quando planejavam dar um golpe e derrubar Xi Jinping durante a transição da liderança.

No entanto, a facção de Jiang falhou devido à traição do ex-chefe de polícia Wang Lijun, que teria exposto a conspiração quando pediu asilo no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu. Wang Lijun era o braço-direito de Bo Xilai e fugiu para salvar a própria vida quando soube que seu chefe pretendia eliminá-lo.

 
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