5 razões para não confiar nos produtos ‘orgânicos’ da China

Após numerosos casos de contaminação de alimentos na China, os chineses ficaram desiludidos com a capacidade do regime comunista para regular adequadamente a indústria de alimentos. E a comida contaminada não permanece apenas na China. A Food and Drug Administration (FDA) rejeita regularmente produtos da China por conter “sujeira”, aditivos perigosos, resíduos de medicamentos veterinários e rotulagem inadequada. Em 2007, guloseimas para cães, contaminadas com melamina e provenientes da China, mataram milhares de cães e gatos nos Estados Unidos.

A resposta para alguns chineses que foram vítimas agora está na palavra orgânico, uma garantia de que seus produtos alimentícios serão produzidos de forma responsável com o meio ambiente e não serão cultivados com pesticidas, fertilizantes sintéticos, antibióticos, hormônios de crescimento ou outros produtos químicos perigosos.

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De acordo com pesquisa realizada por uma empresa de Pequim, 80% dos chineses está preocupado com a situação da segurança alimentar na China. Relatório da agricultura estrangeira feito em 2010 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) concluiu que os consumidores estavam dispostos a pagar dez vezes mais pela carne orgânica e cinco a dez vezes mais por vegetais orgânicos. Embora os produtos orgânicos representem apenas uma pequena parte da rede de supermercados na China, estão em ascensão e o consumo de alimentos orgânicos triplicou entre 2007 e 2012, de acordo com a Biofach, maior feira de comercialização de produtos orgânicos do mundo.

Mas os “orgânicos” são realmente seguros na China e quem garante isso?

Isso não está muito claro, tendo em vista o nada transparente sistema da China. Claro, nem todos os alimentos orgânicos chineses são problemáticos, e a China não é o único violador das normas de segurança alimentar, mas sendo o terceiro maior país exportador de produtos agrícolas para os Estados Unidos, a situação inspira cuidados.

Aqui estão alguns dos principais problemas com os produtos “orgânicos” da China.

1. A poluição ambiental na China é muito grave

Trabalhadores drenam água contaminada perto da mina de cobre Zijin, em Shanghang, em 13 de julho de 2010, depois que os resídios da mina contaminaram o rio Ting, uma das principais vias navegáveis na província sudeste chinesa de Fujian (STR/AFP/Getty Images)
Trabalhadores drenam água contaminada perto da mina de cobre Zijin, em Shanghang, em 13 de julho de 2010, depois que os resídios da mina contaminaram o rio Ting, uma das principais vias navegáveis na província sudeste chinesa de Fujian (STR/AFP/Getty Images)

Como resultado do rápido crescimento industrial na China, grande parte não regulamentada nas últimas décadas, o país sofre com a poluição. Fontes de água e o solo chineses contêm grandes quantidades de metais pesados como o chumbo e o cádmio, liberados pelas águas residuais industriais.

Mas o rótulo “orgânico” não leva em conta a poluição ambiental, já que o sistema só certifica um processo, no qual nenhum pesticida prejudicial, fertilizante, etc é adicionado ao cultivo de produtos orgânicos. Mas o que dizer de metais pesados como cádmio, chumbo e arsênico, que já poluem as fontes de água e o solo na China? De acordo com Mike Adams, defensor da saúde natural e editor do Natural News, o USDA não estabelece limites à poluição por metais pesados.

Informações do governo chinês em 2011 mostraram que mais de metade dos grandes lagos e reservatórios na China estavam poluídos demais para uso humano. E um relatório sobre a poluição das águas subterrâneas feito pelo Ministério da Terra e Recursos Naturais, lançado em abril de 2015, descobriu que 16% da água testada era “extremamente pobre” em termos de qualidade.

Além disso, quase um quinto das terras agrícolas da China está poluído, de acordo com o Ministério da Proteção Ambiental e do Ministério de Recursos Terrestres, com metais pesados que se infiltraram no solo através da água de irrigação contaminada.

2. É muito comum a rotulagem fraudulenta

Produtos orgânicos são vendidos em um mercado em Hong Kong (Alex Ogle/AFP/Getty Images)
Produtos orgânicos são vendidos em um mercado em Hong Kong (Alex Ogle/AFP/Getty Images)

Dado que os produtos orgânicos são vendidos a preços mais elevados, os produtores de alimentos, não só na China, podem colocar etiquetas fraudulentas de “orgânico” em seus produtos para obter maior lucro. Como os problemas surgem em todos os níveis da cadeia de abastecimento, as autoridades chinesas e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) têm dificuldade para detectar todas as violações. Um relatório do USDA de 2010 informou que alguns produtores evitam propositalmente o processo de renovação anual do certificado e continuar a usar etiquetas orgânicas expirado, a fim de reduzir custos, enquanto outros varejistas simplesmente rotulam produtos convencionais como orgânicos.

De acordo com o USDA, de 23 casos de fraude na rotulagem de orgânicos entre fevereiro de 2011 e junho de 2013, nove eram de empresas chinesas. Em setembro de 2011, o USDA emitiu um aviso aos distribuidores e certificadores fraudulentos de produtos orgânicos de jamaica (flor), jazmim e extrato de raiz de beterraba em pó em uma empresa de Xi’an.

Em outro caso, a Whole Foods Market teve de deter as vendas do gengibre chinês sob o rótulo “365” depois que se descobriu que o gengibre continha resíduos de sulfóxido de aldicarbe, um pesticida agrícola não aprovado para uso em alimentos orgânicos.

3. Os produtos orgânicos são muitas vezes certificados por fornecedores de terceiros

Devido à falta de certificadores aprovados pelo USDA, são os intermediários que inspecionam grande quantidade de produtos orgânicos chineses (OceanFishing/iStock)
Devido à falta de certificadores aprovados pelo USDA, são os intermediários que inspecionam grande quantidade de produtos orgânicos chineses (OceanFishing/iStock)

O Centro de Certificação Orgânica chinês (COFCC), agência supostamente encarregada de certificar todos os produtos orgânicos, inspeciona apenas 30% de tais produtos, enquanto o restante é certificado por empresas privadas, ONGs e inspetores individuais, todos os quais devem ser credenciados pela Administração de Certificação e Credenciamento (CNCA). Mas o mesmo relatório de 2010 do USDA disse que não há equivalência nos padrões de certificação entre os EUA e a China, porque a China não reconhece padrões orgânicos estrangeiros. Portanto, divergências graves podem ocorrer entre produtos químicos e práticas agrícolas que são permitidos em produtos orgânicos da China em comparação com os produtos orgânicos dos Estados Unidos.

Supõe-se que todos os orgânicos importados para os Estados Unidos são garantidos por uma certificadora credenciada pelo USDA, mas como não há número suficiente de certificadores, o USDA terceiriza para os chineses. Mas, nesses casos, o USDA concede credenciais condicionadas a uma certificação com base apenas em procedimentos burocráticos e negligencia a confirmação física do cumprimento de todos os regulamentos.

4. Não existe regulamentação

Como este guarda chinês, as autoridades frequentemente viram as costas para violações alimentares na China, permitindo que os problemas se multipliquem (Wang Zhao/AFP/Getty Images)
Como este guarda chinês, as autoridades frequentemente viram as costas para violações alimentares na China, permitindo que os problemas se multipliquem (Wang Zhao/AFP/Getty Images)

Em 2010, o USDA informou que o regime chinês não fez cumprir adequadamente as normas para produtos orgânicos, e nenhuma autoridade foi dada a qualquer agência do governo, permitindo que abusos e atividades ilegais continuem a ocorrer. Ele também citou o relatório do Guangzhou Daily sobre um consumidor que denunciou a existência de vegetais rotulados falsamente de orgânicos e que foienviado a quatro departamentos governamentais diferentes antes de que lhe fosse dito que nenhum deles tinha a autoridade para lidar com o problema.

5. A corrupção é desenfreada

(Frederic J. Brown / AFP / Getty Images)
(Frederic J. Brown / AFP / Getty Images)

Na China governada pelo comunismo, as autoridades controlam os meios de comunicação e censuram os rumores na internet para encobrir escândalos alimentares, privando-os da atenção necessária para que ocorra uma reforma. Em vez de se concentrar na erradicação dos problemas de contaminação em alimentos, o regime chinês passa mais tempo escondendo seus crimes e escândalos e mantendo uma aparência de estabilidade e prosperidade. Além disso, uma intrincada rede de corrupção une o sistema judiciário, os setores empresariais e industriais e funcionários do governo. Os subornos para obter licenças são comuns, com práticas antiéticas encobertas geralmente por grandes somas de dinheiro.

 
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