15.000 verificados pela polícia no primeiro dia de ‘confinamento de não vacinados’ na Áustria

120 pessoas foram multadas por policiais encarregados de impor o controverso mandato de confinamento

Por Jack Phillips

Após a Áustria, na segunda-feira, colocar um confinamento sobre todas as pessoas não vacinadas, o Ministério do Interior do país confirmou que 120 pessoas foram multadas por policiais encarregados de impor o controverso mandato.

“Os policiais realizam a tarefa ingrata, mas importante, de inspecionar os espaços públicos”, afirmou o ministro do Interior, Karl Nehammer, acrescentando que cerca de 15.000 pessoas foram verificadas em toda a Áustria nas primeiras 24 horas após o mandato entrar em vigor. Até o momento, relatou Nehammer em entrevista coletiva, cerca de 120 multas foram aplicadas.

“É um trabalho difícil. A pressão pelo controle aumentou maciçamente e isso continuará nos próximos dias”, afirmou ele, segundo a mídia local.

Nehammer relata que o foco principal dos controles são as ruas movimentadas e os restaurantes, de acordo com a publicação austríaca Kronen Zeitung. Aqueles que se recusam a participar dos controles enfrentam uma multa de até 1.450 euros (aproximadamente 9.039 reais).

“Graças às patrulhas adicionais e às unidades de prontidão que existem em toda a Áustria, um alto nível de controle pode ser garantido”, afirmou o Diretor Geral de Segurança Pública, Franz Ruf, de acordo com a publicação do Kleine Zeitung.

No fim de semana, o chanceler Alexander Schallenberg afirmou em uma entrevista coletiva que o confinamento para aqueles que não foram vacinados contra a COVID-19 entraria em vigor na segunda-feira, conclamando esses indivíduos a “não deixarem seu apartamento”, exceto por “certos motivos”. Schallenberg reconheceu que cerca de um terço da população da Áustria, ou aproximadamente 2 milhões de pessoas, serão afetadas pela regra dos 10 dias.

Policiais austríacos patrulham um shopping center em Voesendorf, distrito de Moedling, Áustria, em 16 de novembro de 2021 (Hans Punz / APA / AFP via Getty Images)
Policiais austríacos patrulham um shopping center em Voesendorf, distrito de Moedling, Áustria, em 16 de novembro de 2021 (Hans Punz / APA / AFP via Getty Images)

Crianças menores de 12 anos e recém-recuperadas do vírus do PCC (Partido Comunista Chinês) ficarão isentas dos controles, afirma o governo. Pessoas não vacinadas terão que ficar em suas casas, a menos que estejam envolvidas em negócios ou viagens essenciais, estipula a regra.

“Isso pode acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar”, afirmou Nehammer no fim de semana, de acordo com o The Guardian. “Cada cidadão deve esperar ser verificado”.

A medida foi duramente criticada por membros do partido da oposição, que questionaram se a regra é constitucional. O Partido da Liberdade, de direita, afirma que isso irá criar uma camada de cidadãos de segunda classe, ecoando as preocupações de grupos de liberdades civis sobre os diferentes planos de passaporte de vacinação que foram lançados em várias cidades dos EUA e na maioria dos países europeus.

As manifestações eclodiram na capital, Viena, bem como em Salzburgo, em resposta ao confinamento. O Partido da Liberdade afirma que desafiaria a legalidade da regra.

Mas Schallenberg e outros funcionários do governo declararam que o confinamento é necessário para lidar com o recente aumento de casos da COVID-19 no país. Cerca de 65 por cento da população da Áustria está totalmente vacinada, de acordo com dados governamentais recentes.

“Meu objetivo é muito claro, que os não vacinados se vacinem e não confinem os vacinados, a longo prazo, para sairmos desse círculo vicioso em que estamos – e é um círculo vicioso, estamos tropeçando das ondas ao confinamento, e isso não pode continuar para sempre – e será apenas através da vacinação”, afirmou em uma entrevista de rádio.

Outras nações europeias, incluindo as vizinhas Alemanha e República Tcheca, também poderāo participar de um confinamento semelhante para os não vacinados.

O co-presidente do Partido Verde da Alemanha, Robert Habeck, afirma que as novas restrições propostas seriam o “confinamento para os não vacinados”. Enquanto isso, o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis, afirmou esta semana que seu país está considerando o mesmo.

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