12 cidadãos de Hong Kong desaparecem sem deixar rastros, advogados suspeitam de armadilha das autoridades

Familiares estão desesperados e um dos advogados apontou que o ocorrido provavelmente é uma armadilha do PCC para incriminá-los propositalmente

Por Ning, Epoch Times

12 cidadãos de Hong Kong foram presos em 30 de setembro pelo PCC por “cruzarem a fronteira ilegalmente”. Numerosos advogados contratados pelas famílias dos desaparecidos estão sendo ameaçados pelo regime comunista no intuito de impedir a intervenção.

Até o momento, 12 cidadãos estão isolados e não há nenhuma notícia sobre a situação deles. Familiares estão desesperados e um dos advogados apontou que o ocorrido provavelmente é uma armadilha do PCC para incriminá-los propositalmente.

Um dos advogados disse ao Epoch Times: “As 12 pessoas foram completamente isoladas do mundo exterior e seus direitos legais e de defesa estão sendo completamente violados. No entanto, relatórios oficiais ainda dizem que o caso está sendo tratado em conformidade com a lei e os direitos humanos são protegidos. As autoridades estão mentindo, o que nos deixa muito zangados”.

Em 23 de agosto, a equipe da Guarda Costeira de Guangdong do PCC prendeu 12 ativistas pró-democracia de Hong Kong por “travessia ilegal”. Os 12 membros são: Li Yuxuan, Liao Ziwen, Zheng Zihao, Deng Jiran, Yan Wenqian, Li Zixian, Huang Linfu, Zhang Junfu, Qiao Yingyu, Huang Weiran, Guo Zilin e Zhang Mingyu.

Informações são ocultadas, advogados repremidos e intervenção bloqueada

Em 23 de setembro, os quatro advogados encarregados dos casos se destinaram ao centro de detenção no distrito de Yantian, Shenzhen. Os guardas do centro de detenção dificultaram a entrada usando como desculpa a falta de carimbo do juiz na carta de autorização do cliente e solicitando a troca do advogado responsável. Os guardas ainda alegaram que o cliente já havia contratado dois advogados, mas se calaram quando foram questionados se já havia ocorrido o encontro das partes. Os advogados argumentaram: “Temos os documentos completos, o centro de detenção deveria marcar a reunião. De que forma os nossos clientes contrataram os advogados?” Os guardas ficaram em silêncio.

Mais tarde, quando os quatro advogados foram à unidade de tratamento de casos (Seção de Segurança Pública do Distrito de Yantian, Shenzhen) para concluir os procedimentos relevantes, a polícia do local também dissera que os clientes já haviam contratado advogados, mas se recusaram a fornecer informações adicionais.

Diante da situação, o advogado abriu um processo judicial:

  1. O centro de detenção impede que o advogado de se reúna com seu cliente e usa como base jurídica a falta de carimbo do juiz em uma carta de autorização escrita pelo cliente, o que é obviamente, um comportamento ignorante;
  2. Duvidamos da autenticidade da alegação dos guardas e policiais de que o cliente já tenha contratado um advogado;
  3. De que forma os advogados foram contratados (se o cliente está bloqueado de todos os meios de comunicação externa)? Como o advogado conseguiu a carta de autorização? Estaria o pessoal do centro de detenção envolvido em subornos, contratando advogados (pró-PCC) e outras atividades ilegais?

O repórter procurou saber que após a elaboração do processo, um dos quatro advogados foi “convidado” pelo departamento de justiça para “conversar”. Até o momento, pelo menos quatorze advogados tentaram ajudar os inocentes presos, mas quase todos foram oprimidos pelas autoridades, que ameaçam revogar sua licença de advogado. Mas isso não impediu que mais advogados continuem a se juntar ao caso para resolver a injustiça.

Inocentes em isolamento prisional: advogado afirma que a polícia está mentindo

Desde que os 12 cidadãos foram presos, seus familiares e advogados não têm conhecimento de sua situação porque as autoridades bloquearam todos os meios de comunicação.

Em relação à alegação dos guardas e policiais de que os clientes já haviam contratado outros advogados, o advogado encarregado aponta que de acordo com as leis e regulamentos, quando é solicitado um serviço advocatício por um prisioneiro, este deverá passar por procuração de autorização elaborada pelos familiares. Se o caso for contratação própria, deverá ser algum advogado de confiança, mas de acordo com a família do cliente, a família não conhece nenhum advogado na China continental; em terceiro lugar, se foi contratado um advogado da defensoria pública, quando o advogado encarregado intervir, a defensoria pública deve rescindir automaticamente o contrato, porque a prioridade é do advogado encarregado. Além disso, para entender melhor a situação, a defensoria pública deveria contactar os seus familiares, mas até agora nenhum contato foi realizado.

O advogado revelou ainda que no dia 23, um grupo de advogados foi à defensoria pública para averiguar o caso, mas recebeu a notícia de que os detalhes do caso foram recebidos por eles no mesmo dia. “Ou seja, quando os nossos advogados foram ao centro de detenção no dia 23, não havia nenhum pedido de assistência judiciária, por isso estamos muito desconfiados de que a polícia e o guarda estavam mentindo”.

“Se a inscrição foi realizada no dia 23. É impossível enviar advogado no mesmo dia, porque há uma burocracia para atender ao pedido. Por outro lado, acredito que eles não têm advogado nenhum para atender. A polícia deve estar mentindo e deliberadamente nos deixam de fora impedindo-nos de realizar o trabalho.”

“Duvidamos que a polícia tenha dito que já há advogados da defensoria pública. Se há advogados, como esses advogados conseguiram a procuração de autorização do cliente?”

Bloqueio de notícias leva a especulações de que autoridades armaram armadilha

Autoridades do regime chinês não divulgam detalhes e impedem a intervenção de advogados, alguns analistas apontaram que o PCC deliberadamente montou armadilhas para atacar os democratas de Hong Kong.

O advogado procurado disse que o caso era confuso e que os funcionários escondem as informações, causando especulações. “Estamos todos preocupados com a condição física e a forma que as autoridades estão tratando os 12 cidadãos. Essa (armadilha) é uma suspeita válida. Caso contrário, porque não tratam as informações de forma aberta e transparente? Por que você não deixaria um advogado procurado visitar o cliente? Provavelmente tem algo de errado ali no meio, com a consciência pesada, portanto, estão barrando as visitas entre as partes”.

“Suspeito que, se no barco só foram encontradas essas 12 pessoas, o grupo combinou de pilotar o barco para fazer a travessia ilegal? Isso faz sentido? Não consigo acreditar. Antes de encontrar os meus clientes, eu não irei acreditar no relatório oficial. Suspeito que eles (meus clientes) caíram numa armadilha.”

“A única forma de conseguirmos alguma informação dos 12 cidadãos é através da publicação oficial. Como eles (autoridades comunitárias) acham que nos enganam? Eles têm tanto medo de nos deixar trabalhar no caso, a posição unilateral fará com que alguns os familiares levantem as vozes para serem ouvidos. O que eles querem com isso?”

“Agora essas pessoas estão completamente isoladas de todo tipo de comunicação e seus direitos e defesas legais foram totalmente violados. No entanto, relatórios oficiais ainda afirmam que estão cuidando dos casos em conformidade com a lei, protegendo seus direitos e interesses. O governo de Hong Kong ainda está protegendo as autoridades comunitárias. Estamos muito zangados.”

O escritor e comentarista de assuntos da atualidades de Hong Kong, Pan Dongkai, enfatizou em uma entrevista ao programa “True Words” que Hong Kong não tem leis sobre saídas ilegais. Especula-se que a polícia de Hong Kong deliberadamente deixou essas pessoas serem levadas para cooperar com o Partido Comunista Chinês e permitir que a polícia do continente as prendesse. Ele levantou uma reflexão dos motivos da polícia de Hong Kong e disse que o povo de Hong Kong acredita que se trata de uma armadilha venenosa e que o objetivo era deixá-los cair deliberadamente nas mãos das autoridades do continente chinês.

Advogados são ameaçados a deixar o caso: a visão da mídia estatal está errada

Um dos advogados que foi forçado a se retirar do caso, disse a repórteres que a Xinhuanet e alguns advogados de Hong Kong tem opiniões erradas sobre a situação. “Independentemente das leis existentes no continente chinês e da nova “Lei de Segurança Nacional”, não há base legal para o continente tomar posse deste caso”.

Ele explicou ainda: “As leis penais em relação à fronteiras não têm jurisdição sobre o povo de Hong Kong portanto o caso devería ser transferido para o governo local”. “De acordo com a nova Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, os que cometem crimes que põem em perigo a segurança nacional podem ser transferidos ao continente para processamento. Mas a travessia ilegal da fronteira não está incluída na nova Lei de Segurança Nacional. “

“Portanto, se o continente chinês quiser jurisdição, deverá incluí-lo na nova “Lei de Segurança Nacional “. No entanto, a” versão de Hong Kong da Lei de Segurança Nacional “também estipula que quaisquer ação antes da promulgação da lei não podem ser investigadas sob a nova lei. As 12 pessoas atravessaram a fronteira ilegalmente, segundo as autoridades chinesas, foi um fato do ano passado, então só podem ser tratadas aqui em Hong Kong e não pela China continental.

“Qual é o propósito das autoridades fazerem isso? É para aproveitar este caso para investigar os casos passados e obter informações relevantes do ano passado?”

Doze ativistas de Hong Kong caem nas mãos do PCC e ganham a atenção de Hong Kong e do mundo

O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma declaração do Secretário de Estado, Mike Pompeo, na noite de sexta-feira (11 de setembro), afirmando que os EUA expressa profunda preocupação com a situação atual de 12 ativistas pela democracia de Hong Kong presos pela polícia marítima do continente chinês que impediu que os detidos contatassem o advogado de sua escolha. “As autoridades (do Partido Comunista Chinês e de Hong Kong) não forneceram informações sobre o estado dos detidos ou as acusações contra eles”.

A declaração dizia: “Questionamos a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, com relação à responsabilidade e promessa de proteger os direitos dos residentes de Hong Kong, e pedimos às autoridades que garantam um processo democrático”.

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