100.000 protestam na França contra proposta do novo passaporte sanitário para COVID-19

Macron afirma que seu governo pretende tornar a vida o mais difícil possível para indivíduos não vacinados, aumentando restrições às suas liberdades civis

Por Jack Phillips 

Autoridades francesas afirmaram que cerca de 105 mil manifestantes tomaram as ruas em todo o país contra um projeto de lei que, essencialmente, iria proibir as pessoas não vacinadas da vida pública.

Manifestantes protestaram contra o recente comentário do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre pessoas que não receberam vacinas contra a COVID-19, declarando: “Eu realmente quero irritá-los. E assim continuaremos a fazê-lo, até o amargo fim. Essa é a estratégia”.

Falando ao Le Parisien, Macron afirmou que seu governo pretende tornar a vida o mais difícil possível para indivíduos não vacinados, aumentando as restrições às suas liberdades civis. Nos últimos dias, a variante Ômicron da COVID-19 se espalhou rapidamente pelo mundo, incluindo a Europa, e os dados sugerem que ela infecta facilmente indivíduos totalmente vacinados.

Muitos manifestantes franceses no sábado cantaram uma variação do comentário vulgar de Macron.

Outros carregavam cartazes afirmando “não ao passe da vacina”, uma referência à pressão legislativa de Macron para exigir provas de vacinação para entrar em locais como cafés, bares e museus.

Imagens de TV mostraram conflitos entre manifestantes e policiais em um local. Os manifestantes também se reuniram nas ruas de Marselha, Nantes e Le Mans, entre outras cidades.

“[As observações de Macron] foram a gota d’água. Não somos irresponsáveis”, declarou a administradora do hospital Virginie Houget, que evitou uma ordem obrigatória de vacinação para os profissionais da saúde porque contraiu a COVID-19 no final do ano passado. Estudos demonstraram que uma infecção anterior confere proteção contra infecções futuras, embora raramente seja mencionada por autoridades da saúde pública que, em vez disso, promovem a vacinação.

A três meses de uma eleição presidencial, alguns analistas notaram que a linguagem contundente de Macron parecia ser calculada e projetada para angariar apoio entre os eleitores pró-vacina.

Os manifestantes acusam Macron de atropelar suas liberdades e tratar os cidadãos de forma desigual. As pessoas na França já precisam apresentar comprovante de vacinação ou teste negativo para entrar em restaurantes e bares e usar trens inter-regionais.

“Quero que ele irrite traficantes e criminosos, não uma pessoa comum”, afirmou um manifestante de 55 anos que pediu anonimato porque administra um negócio.

Apesar do aumento das infecções pela Ômicron, o governo quer abandonar a opção de teste. A França é um dos países mais vacinados do mundo, com mais de 90% das pessoas com 12 anos ou mais totalmente vacinadas.

Durante um protesto no sábado, o candidato presidencial de direita, Florian Philippot, afirmou que “toda pessoa vacinada é uma futura pessoa não vacinada” por causa dos mandatos de reforço que estão sendo cada vez mais empregados em todo o mundo. “Todo francês está na mira da loucura liberticida de Macron, o louco”, acrescentou.

A polícia na Alemanha relatou aos meios de comunicação que cerca de 16.000 pessoas foram às ruas em Hamburgo para protestar contra as restrições cada vez mais rígidas do governo alemão à COVID-19. A Alemanha está considerando impor um mandato geral de vacinação contra a COVID-19 para todos os elegíveis, incluindo crianças.

A Reuters contribuiu para esta reportagem.

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