Publicado em 17/02/2017 às 6:00 - Atualizado em 17/02/2017 às 2:59

Trump debate política de “Uma China”

Analistas dizem que Trump criou espaço para negociações futuras, enquanto Xi agora pode se concentrar em questões domésticas urgentes

Presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington, em 7 de fevereiro de 2017 (AP Photo / Evan Vucci)

Presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington, em 7 de fevereiro de 2017 (AP Photo / Evan Vucci)

A relação bilateral entre os Estados Unidos e a China, a primeira e a segunda maior economia mundial, é freqüentemente chamada de a mais importante do mundo. Assim, muitos já estavam preocupados quando, antes de sua posse, o presidente Donald Trump pareceu adotar uma posição de combate contra o regime chinês.

Trump primeiro quebrou o protocolo diplomático de longa data, recebendo um telefonema de boas-vindas da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Ele disse mais tarde que a sensível política de “Uma China” era negociável no caso de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Vários políticos anti-China – incluindo o economista Peter Navarro e o financista Wilbur Ross – foram nomeados para posições econômicas e comerciais importantes. Rex Tillerson, secretário de Estado de Trump, disse ao Senado que os EUA precisam “enviar à China um sinal claro de que, primeiro a construção das ilhas deve parar e, segundo seu acesso a essas ilhas também não será permitido”.

Mas quando Trump e o líder chinês Xi Jinping falaram em seu primeiro telefonema em 9 de fevereiro, o presidente dos EUA pareceu se afastar da controvérsia e do confronto.

Em um telefonema “extremamente cordial”, o Presidente Trump concordou, a pedido do Presidente Xi, em honrar a política de “Uma China”, de acordo uma declaração da Casa Branca.

A linguagem e o fraseado da declaração sugerem que um acordo de algum tipo havia sido negociado entre Trump e Xi, dizem os analistas. Trump deixou amplo espaço para negociações futuras, enquanto Xi presumivelmente continuará a se concentrar em questões domésticas urgentes.

Foi publicada uma vaga declaração de que “Pequim estaria suficientemente satisfeita, ainda que Washington tivesse assegurado a Taipei não ter a intenção de rever sua posição oficial”, escreveu J Michael Cole, um colaborador do Instituto de Políticas da China da Universidade de Nottingham, em um artigo para o ‘Taiwan Sentinel’, onde ele é editor-chefe.

A política de “Uma China” dos EUA refere-se à sua separação das relações diplomáticas oficiais com a República da China, ou Taiwan, em 1979, e ao reconhecimento da República Popular da China como o único governo da China e Taiwan. Essa política de “Uma China” é um pilar das relações entre os EUA e a China, tal como concebido atualmente.

O regime comunista chinês e o governo democrático taiwanês também dizem que há apenas uma China, mas que discordam sobre quem a governa.

“A política de ‘Uma China’ dos EUA reconhece a posição de Pequim”, escreveu Cole em uma nota ao Epoch Times, mas “não concorda e nem discorda em nada”.

Ele acrescentou que os Estados Unidos “são, portanto, livres para decidir o que ‘Uma China’ significa para eles e o que é permitido dentro disto”, não sendo diferente de como outros países vêem a questão.

“Wordsmiths injetou muita flexibilidade na linguagem”, concluiu Cole.

Ming Chu-cheng, professor de ciência política na Universidade Nacional de Taiwan, também observou que a declaração era vaga, e que a afirmação de Trump sobre “Uma China” a pedido de Xi poderia ser interpretada de duas maneiras.

Primeiro, porque Trump havia dito que consideraria todas as políticas dos EUA e da China negociáveis até que o regime chinês realmente reformasse suas práticas cambiais e comerciais, “o regime chinês poderia ter feito algumas concessões” para que o telefonema fosse feito em primeiro lugar.

Por outro lado, se Trump simplesmente concordou em falar com Xi Jinping sem exigir e receber algumas concessões, então a China pode presumir que Trump pode ser facilmente “empurrado”. E esse é o pior cenário, disse Ming.

Do ponto de vista de Xi Jinping, não ter Trump pressionando-o muito sobre “Uma China” permite que Xi concentre seus esforços em punir a facção política rival centrada em torno do ex-líder chinês, Jiang Zemin, e consolidar sua própria autoridade.

Ming acredita que os Estados Unidos apoiaram silenciosamente Xi Jinping ao longo dos anos, e que Donald Trump pode, ao honrar a política de “Uma China”, reverter para o status quo.

Uma conseqüência disto, disse Ming, pode ser que “Xi Jinping tenha mais espaço para manobras” na continuação de sua centralização política.

Declarações de Trump sobre a política de “Uma China”

2 de dezembro de 2016 – Trump fala por telefone com a presidente taiwanês Tsai Ing-wen, rompendo quatro décadas de protocolo. É a primeira vez que um presidente americano ou presidente eleito tem falado publicamente com o líder de Taiwan desde 1979, quando os Estados Unidos trocaram laços diplomáticos com Pequim. “A Presidente de Taiwan me ligou hoje para desejar-me felicitações por ter me elegido à Presidência”, tweets Trump. O chanceler chinês Wang Yi acusa o governo de Tsai de ter usado um “truque”, sem repreender diretamente Trump.

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4 de dezembro de 2016 – Enfrentando a crítica do telefonema com Tsai, Trump reage no Twitter. “A China nos perguntou se estava ok desvalorizar sua moeda (tornando difícil para nossas empresas competirem), impôr pesados impostos nos nossos produtos que entram em seu país (os EUA não os taxam) ou construir um enorme complexo militar no meio do Mar da China Meridional?” escreveu Trump em dois tweets separados. “Eu acho que não!” Um porta-voz chinês do ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, disse que a China “não comentará sobre sua personalidade”, mas somente sobre suas atitudes políticas como presidente.

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11 de dezembro de 2016 – Trump sugere que ele usaria o status de Taiwan como uma ferramenta de barganha. “Eu não sei por que temos de ficar presos a uma política de “Uma China” a menos que façamos um acordo com a China com outras coisas, incluindo o comércio,” disse ele à Fox News no domingo. Pequim respondeu acentuadamente. Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, pediu que Trump “compreenda a gravidade da questão de Taiwan”, e Wang, ministro das Relações Exteriores, disse que “qualquer poder no mundo” que ameaçar os interesses centrais da China esmagará seu próprio pé ao tentar levantar uma pedra.”

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13 de janeiro de 2017 – Trump diz ao The Wall Street Journal: “Tudo está em negociação, incluindo “Uma China”. O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, diz que Taiwan “não é negociável”. A mídia estatal chinesa, fortemente controlada pelo governo, publicou dois editoriais em inglês condenando Trump, incluindo um editorial do China Daily dizendo que Trump estava “brincando com fogo”.

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8 de fevereiro de 2017 – A Casa Branca anuncia que Trump enviou uma carta ao líder chinês Xi Jinping desejando bons votos para o Ano Novo Lunar Chinês. Embora ele tenha enviado a carta uma semana após o feriado de 28 de janeiro, a China respondeu com elogios mas rejeitou os comentários de que a carta tinha chegado pouco tempo depois. “É de comum conhecimento que desde que o presidente Trump assumiu a presidência, China e os EUA se tornaram mais próximos”, disse Lu Kang, um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

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9 de fevereiro de 2017 – A Casa Branca disse que Trump e Xi falaram por telefone, e Trump “concordou, a pedido do Presidente Xi, em honrar a política de “Uma China”.

Originalmente publicada em: Epoch Times em Inglês Ir para a home do Epoch TimesVer original
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