Nove Comentários sobre o Partido Comunista Chinês – Capítulo 1
A SOMBRA DE MAO: Uma mãe e o filho entram no Museu Militar de Pequim e são recebidos por uma grande estátua do ex-ditador chinês Mao Tsé-Tung.
(Stephen Shaver/AFP/Getty Images)
O QUE É O PARTIDO COMUNISTA?
Este é o primeiro dos Nove Comentários
Original em chinês, 19 de novembro de 2004
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Prefácio
Há mais de cinco mil anos, o povo chinês surgiu e se estabeleceu sobre um pedaço de terra alimentado pelo Rio Amarelo e pelo Rio Yangtzé. Uma cultura esplêndida se desenvolveu, com mais de uma dezena de dinastias, durante as quais houve altos e baixos, florescimentos e declínio, como o espetáculo de imensas ondas que comovem os corações.
O ano de 1840 foi considerado de maneira geral pelos historiadores como o início da era moderna da China e também como o ponto de partida da transição da China da idade média para a modernidade. A civilização chinesa passou provavelmente quatro episódios de maiores desafios e repercussões. Os primeiros três desafios são a invasão de Pequim pela força aliada anglo-francesa nos primeiros anos da década de 1860; a guerra entre a China e o Japão em 1894; e a guerra entre a Rússia e o Japão no nordeste da China em 1906. A estes três desafiantes episódios, a China respondeu mediante importação de bens (um movimento de ocidentalização), reformas institucionais (o Movimento de reforma de 1898 [1] e o estabelecimento da Lei Constitucional da Dinastia Qing) e, mais tarde, a Revolução democrática [2] em 1911.
Passada a I Guerra Mundial, os interesses e vantagens da China, apesar de ter sido um dos países vitoriosos, não foram considerados pelos outros poderosos. Muitos chineses desta época acreditaram que as respostas aos três primeiros episódios tinham falhado totalmente. Por isto, surgiu o Movimento de quatro de maio [3], que desencadeou uma quarta tentativa, também em resposta aos últimos três episódios, e que culminou na completa ocidentalização da cultura chinesa por meio do movimento comunista e da revolução extrema.
Estes “Comentários” falam sobre os efeitos desta última resposta, quer dizer, o movimento comunista e o Partido Comunista. Analisaremos um pouco os últimos 160 anos da história da China, durante os quais cerca de 100 milhões de pessoas morreram de maneira não natural, e depois, após quase toda a cultura e civilização tradicional da China terem desaparecido, quais são as consequências da escolha que a China fez, ou, melhor dizendo, que foi imposta à China à força.
I. O uso da violência e do terror para tomar e manter o poder político
Os comunistas não se dignam a ocultar seus pontos de vista e suas razões. Declaram abertamente: seus objetivos somente podem ser obtidos mediante a anulação violenta de todos os sistemas sociais existentes. Assim conclui o “Manifesto do Partido Comunista”, documento principal do Partido Comunista. A violência é o método pelo qual o Partido Comunista obteve o poder político e também é o seu método mais importante. Esta é sua primeira e imutável característica desde o dia do surgimento deste partido.
Na verdade, o primeiro Partido Comunista do mundo foi estabelecido muitos anos depois da morte de Karl Marx. O segundo, o “Partido Comunista de Todos os Russos” (Bolchevique, posteriormente conhecido como “Partido Comunista da União Soviética”) nasceu depois da Revolução de outubro de 1917. Este partido surgiu graças ao emprego da violência contra os “inimigos de classe” e seguiu existindo e se mantendo mediante a violência contra a sua própria gente. Nas censuras e limpezas realizadas pelo Partido Comunista Soviético, mais de 20 milhões dos assim chamados “espiões”, “traidores” e aqueles que tinham opiniões diferentes foram assassinados.
O Partido Comunista Chinês (PCCh) começou primeiro como uma extensão da Terceira Internacional Comunista, controlada pelo Partido Comunista Soviético. Portanto, herdou de forma natural sua tradição de violência. Durante a primeira guerra civil entre os comunistas e o Kuomintang (o Partido Nacionalista), entre 1927 e 1936, a população da província de Jiangxi, caiu de 20 milhões para cerca de 10 milhões. Com isto pode-se ver as terríveis perdas produzidas pelo terror criado pelo uso de violência.
Mesmo que uso da violência seja inevitável quando se trata de obter o poder político, ainda assim, nunca existiu um regime que considerasse tão literalmente o uso da violência como o PCCh, especialmente em períodos de paz. Desde 1949, o número de mortes causadas pela violência do PCCh já superou o total de mortes ocorridas nas guerras entre 1921 e 1949.
Um exemplo claro foi o apoio do PCCh ao Khmer Rouge no Camboja. Depois que o Khmer Rouge tomou o poder, um quarto da população do Camboja, muitos deles descendentes de chineses, foi assassinada. Entretanto, até hoje, a China comunista impede que a comunidade internacional julgue publicamente o Khmer Rouge, com o propósito evidente de encobrir sua participação e relação neste genocídio no Camboja. Cabe assinalar que todas as forças armadas e regimes mais brutais tiveram laços estreitos com o PCCh. Além do Khmer Rouge, incluem-se os partidos comunistas da Indonésia, Filipinas, Malásia, Vietnã, Birmânia, Laos, Nepal etc., todos os quais foram estabelecidos com o apoio do PCCh. Muitos líderes destes partidos são chineses, no entanto, alguns deles se escondem hoje na China. Outros partidos comunistas fundamentados no maoismo, incluindo o Sendero Luminoso na América do Sul (Peru) e a Marinha de Guerra Vermelha Japonesa, foram condenados pela comunidade mundial por suas ações atrozes e brutais.
Uma das origens do comunismo lastreia-se na teoria da evolução de Darwin. O Partido Comunista usa a ideia da rivalidade entre as ‘espécies animais’ na sua luta de ‘classes sociais’ para o desenvolvimento da sociedade, defendendo que a luta de classes é a única força impulsionadora para o desenvolvimento da sociedade. A luta, portanto, se transformou na ‘crença’ fundamental do Partido Comunista para conseguir o poder político e preservar a sua existência. A famosa frase de Mao, “Com 800 milhões de pessoas, como pode funcionar sem luta?” é justamente uma declaração desta lógica da sobrevivência do mais forte.
Outra famosa afirmação de Mao Tsé-Tung é que a Revolução Cultural deveria ser realizada “a cada sete ou oito anos” [4]. O constante uso da força é o meio do PCCh manter o controle. O propósito da violência é gerar o medo. Cada luta e movimento serve para desenvolver o terror, de maneira que o povo chinês seja dominado e seus corações tremam de medo até serem convertidos em escravos do terror.
Hoje, o terrorismo se converteu no principal inimigo do mundo civilizado e livre. Sem dúvida, o uso do terrorismo violento pelo Partido Comunista, graças aos aparatos do Estado, tem sido em maior escala, muito mais duradouro, e seus resultados mais devastadores. Hoje, no século XXI, não devemos esquecer esta característica herdada do Partido Comunista, já que no devido tempo, ela funcionará como um fator determinante do seu destino.
II. Utilizando mentiras para aceitar a violência
O nível de civilização pode ser medido pelo grau de violência usado num regime. As sociedades de regime comunista claramente representam um enorme retrocesso para a civilização humana. Sem dúvida, o Partido Comunista conseguiu com certo êxito e por certo tempo fazer as pessoas acreditarem que estas sociedades estavam progredindo. Tais pessoas acreditam que o emprego da violência é um processo natural e necessário para o desenvolvimento deste tipo de sociedades. Esta aceitação da violência tem de ser vista como o hábil e incomparável emprego de mentiras e farsas pelo Partido Comunista, que é outra característica herdada do PCCh.
“Desde o início, pensamos que os EUA é um país especialmente amável. Acreditamos que isto não se deve somente pelo fato de que os EUA nunca invadiram a China pela força e não tenham atacado a China. Fundamentalmente, os chineses têm uma boa impressão dos EUA, devido à tradição democrática e ao caráter generoso e aberto que mostra a natureza do povo americano.” Estes dizeres são de um editorial publicado em 4 de julho de 1947 num diário oficial do PCCh, o periódico Xinhua. Três anos depois, o PCCh enviou soldados para lutar contra as tropas norte americanas na Coreia do Norte, descrevendo os norte-americanos como os imperialistas mais malvados do mundo. Cada chinês da China Continental se surpreenderia ao ler este editorial escrito há mais de 50 anos, ao ponto do PCCh considerar necessário proibir a reimpressão de passagens semelhantes e publicar versões reescritas.
Desde que chegou ao poder, o PCCh tem utilizado métodos semelhantes em cada movimento, incluindo a eliminação de contrarrevolucionários (1950-1953), a ‘cooperação’ entre empresas públicas e privadas (1954-1957), o movimento antidireita (1957), a Revolução Cultural (1966-1976), o massacre da Praça Tiananmen (1989), e a perseguição ao Falun Gong desde 1999. Seu feito mais infame foi a perseguição dos intelectuais em 1957. O PCCh pediu aos intelectuais que expressassem sua opinião, mas depois utilizou as próprias opiniões deles como evidência de seus ‘crimes’, prendendo-os como ‘direitistas’. Quando alguns declararam que isto foi um complô desonesto, Mao disse publicamente: “Não foi um complô desonesto, mas um complô aberto.”
As mentiras e as farsas têm desempenhado um papel muito importante para o PCCh conseguir adquirir e manter o controle. A China tem a história mais longa e completa do mundo e os intelectuais têm grande confiança na história desde tempos antigos. Os chineses usam a história para analisar a realidade atual e também para alcançar o crescimento espiritual individual. Por isto, para fazer a história servir aos propósitos do regime comunista, o PCCh tem alterado e ocultado a verdadeira história. Em suas propagandas e publicações, o PCCh reescreveu a história desde períodos remotos como o período da Primavera e Outono (770-476 a.C.) e o período dos Estados em Guerra (475-221 a.C.) até os mais recentes, tais como a Revolução Cultural. Tais alterações históricas têm ocorrido a mais de 50 anos, desde 1949, e todos os esforços para restaurar a verdade histórica têm sido brutalmente bloqueados e eliminados pelo PCCh.
Quando a violência não é suficiente para manter o controle, o PCCh recorre à mentira e à farsa, que servem para justificar e mascarar o regime da violência.
Deve-se reconhecer que a farsa e as mentiras não foram inventadas nem criadas pelo Partido Comunista, mas são atos antigos desprezíveis que o Partido Comunista tem utilizado sem restrições. O PCCh prometeu terras aos ruralistas, fábricas aos trabalhadores, liberdade e democracia aos intelectuais e paz para todos. Mas até hoje, nenhuma destas promessas foi cumprida. Uma geração de chineses morreu enganada e outra geração de chineses continua na ilusão. Esta é a maior tristeza para os chineses e também uma grande desgraça para a nação chinesa.
III. Mudança constante de posturas e princípios
Durante um debate pela televisão de candidatos à presidência dos EUA em 2004, um dos candidatos disse que uma pessoa pode mudar suas táticas para lidar com algo quando necessário, mas nunca deveria mudar suas “crenças” ou o “núcleo de seus valores”, de outra forma, “esta pessoa já não será confiável” [5]. Esta afirmação realmente esclarece um princípio geral.
O Partido Comunista é um exemplo típico. Por exemplo: nos primeiros 80 anos desde o estabelecimento do Partido, o PCCh realizou 16 convenções representativas nacionais e modificou seu Estatuto 16 vezes. Nos mais de cinquenta anos após ter obtido o poder, o PCCh fez cinco grandes modificações na Constituição chinesa.
O ideal do Partido Comunista é a igualdade social e sua meta final é a realização da utopia comunista. Sem dúvida, a China hoje, controlada pelo PCCh, se tornou o país que tem a maior distância entre pobres e ricos, e sobre a base de seus 800 milhões de pobres, sustentam-se membros do PCCh que se tornaram podres de rico.
O pensamento do PCCh evoluiu desde o mais remoto marxismo-leninismo, ao qual agregou-se o maoismo, posteriormente o pensamento de Deng Xiaoping e finalmente as “Três Representações” de Jiang Zemin. O marxismo e o maoismo não são compatíveis em absoluto com as teorias de Deng e a ideologia de Jiang, na verdade, eles são opostos e mantém grandes diferenças. A mistura de teorias comunistas empregadas pelo PCCh é sem dúvida uma raridade na história humana.
Os princípios do Partido Comunista contradizem-se amplamente. Desde sua integração global, transcendendo a nação-Estado, até o nacionalismo extremo, desde o confisco das propriedades privadas e a derrocada de todas as classes exploradoras até a noção atual de promover capitalistas para unirem-se ao Partido, os princípios de ontem se inverteram nas políticas de hoje, com novas mudanças esperadas para amanhã. Não importa quão frequentemente o PCCh mude seus princípios, sua meta permanece clara: adquirir e manter o poder, e exercer controle absoluto sobre a sociedade.
Na história do PCCh, houve mais de uma dúzia de movimentos de ‘vida ou morte’. Na realidade, todos estes conflitos coincidem com a transferência de poder que se seguiu às mudanças dos princípios básicos do Partido.
É necessário esclarecer que cada alteração de posturas e princípios ocorreu em momentos em que a legitimidade e a sobrevivência do PCCh estavam ameaçadas por crises inevitáveis. Seja a colaboração com o Partido Kuomintang, a política externa pró-EUA, a reforma econômica e a expansão do mercado, ou a promoção do nacionalismo, cada uma destas decisões ocorreu em momentos de crise, e cada uma delas está relacionada com a aquisição e solidificação do poder. Cada ciclo de perseguição seguido da inversão da mesma perseguição está conectado com mudanças nos princípios básicos do PCCh.
Um provérbio ocidental diz que as verdades são sustentáveis e constantes e que as mentiras são mutáveis. Que sabedoria tem este ditado!
IV. Como a natureza do Partido substitui e elimina a natureza humana
O PCCh é um regime autoritário leninista. Desde o começo do PCCh, estabeleceram-se três linhas básicas, ou seja, a linha política, a linha intelectual e a linha organizacional. A linha intelectual refere-se à base da filosofia do Partido Comunista, a linha política refere-se ao estabelecimento de metas e a linha organizacional refere-se a como as metas serão alcançadas dentro do formato da estrita organização.
O primeiro e mais importante requerimento de todos os membros do PCCh e daqueles que são regidos pelo Partido é obedecer aos comandos incondicionalmente, enfim, isto é a linha organizacional.
Na China, o povo conhece a dupla face dos membros do PCCh. Em âmbito privado, a maioria dos membros do PCCh possui uma natureza humana comum, tem alegrias, raivas, preocupações e as satisfações de pessoas comuns, eles possuem méritos e fraquezas, e podem ser pais, maridos, esposas e amigos. Porém, acima desta natureza humana está a natureza do Partido, que, de acordo com as exigências do Partido Comunista, transcende a humanidade. Então, a natureza humana torna-se relativa e mutável, enquanto a natureza do Partido torna-se absoluta, além de qualquer dúvida ou questionamento.
Durante a Revolução Cultural na China, era comum pais e filhos aniquilarem-se mutuamente, maridos e esposas lutarem entre si, mães e filhas, estudantes e professores delatarem uns aos outros e tratarem-se como inimigos. O ódio e o conflito nestes casos foram estimulados pela natureza do Partido. Durante o primeiro período do regime do PCCh, houve muitos casos de altos funcionários do PCCh ficarem impotentes quando seus familiares foram considerados inimigos de classe. Isto é também uma manifestação da natureza do Partido.
O poder da natureza do Partido sobre os indivíduos é resultado da prolongada doutrinação exercida pelo PCCh. Este condicionamento começa desde o jardim de infância, onde as respostas sancionadas pelo Partido são premiadas, respostas que contrariam o senso comum e natureza humana da criança. Os alunos recebem educação política desde o primário até a universidade, eles aprendem a seguir e reproduzir as respostas padronizadas e sancionadas pelo Partido, caso contrário, não há como passar nos exames ou se graduar.
Um membro do Partido deve permanecer consistente com a linha do PCCh quando se expressar publicamente, não importa como se sinta individualmente. A estrutura organizacional do PCCh é uma gigantesca pirâmide, com o poder central no topo controlando toda a hierarquia. Esta estrutura é a mais importante característica do regime do PCCh, e que ajuda a produzir conformidade absoluta.
Hoje, o PCCh degenerou-se completamente numa entidade política que luta para preservar o próprio interesse, e já não persegue as elevadas metas comunistas. No entanto, a estrutura organizacional comunista permanece, e sua exigência por obediência incondicional não mudou. Este Partido, situando-se acima da humanidade e da natureza humana, remove quaisquer organizações ou pessoas que sejam consideradas prejudiciais ou potencialmente prejudiciais ao seu poder, sejam cidadãos comuns ou oficiais de alta posição do PCCh.
V. Um espectro maligno que se opõe à Natureza e à natureza humana
Todas as coisas sob o Céu passam pelo ciclo de nascimento, maturação, degeneração e morte.
Diferente do regime comunista, as sociedades não comunistas, mesmo aquelas que sofrem sobre um regime totalitário ou ditatorial, geralmente possuem algum grau de auto-organização e autodeterminação.
De fato, a antiga sociedade chinesa era regida de acordo com uma estrutura binária. Nas áreas rurais, os clãs eram o centro de uma organização social independente, enquanto as áreas urbanas eram organizadas ao redor das guildas. O governo, do topo até a base, não penetrava no nível dos condados.
O regime nazista, provavelmente o regime mais cruel sob um ditador além do Partido Comunista, ainda permitia o direito à propriedade privada. Os regimes comunistas erradicaram quaisquer formas de organização social ou elementos independentes do Partido, substituindo-os de cima a baixo com uma estrutura de poder altamente centralizada.
Se o movimento vertical na estrutura social permite que indivíduos ou grupos autodeterminados desloquem-se naturalmente, o regime comunista é antinatural em sua essência.
O Partido Comunista não possui padrões universais para a natureza humana. Os conceitos de bom e mau, assim como todas as leis e regulamentos, são arbitrariamente manipulados. Comunistas não permitem o assassinato, exceto para aqueles categorizados como inimigos do Partido Comunista. Piedade filial é bem vinda, exceto para parentes considerados inimigos de classe. Benevolência, retidão, propriedade, sabedoria, e fidelidade são todas boas, mas não são aplicáveis quando o Partido não deseja ou não quer considerar estas virtudes tradicionais. O Partido Comunista destitui os padrões universais da natureza humana, e se sustenta em princípios que se opõem a natureza humana.
Sociedades não comunistas geralmente consideram a natureza dual humana do bom e do mau, e confiam em contrastes sociais fixos para manter o equilíbrio da sociedade. No entanto, em sociedades comunistas, o conceito mesmo de natureza humana é negado, e nem o bom e o mau são reconhecidos. Eliminar os conceitos de bom e mau, de acordo com Marx, serve para derrubar completamente a superestrutura da antiga sociedade.
O Partido Comunista não acredita em Deus, nem respeita a natureza física. “Guerrear contra o Céu, batalhar contra a Terra, lutar contra os seres humanos – nisto jaz infinita satisfação.” Este era o lema do Partido Comunista Chinês durante a Revolução Cultural. Grande sofrimento foi infligido ao povo chinês e à terra.
Os chineses tradicionalmente acreditam na união entre o Céu e os seres humanos. Laozi disse no Tao-Te Ching, “O homem segue a Terra, a Terra segue o Céu, o Céu segue o Tao, e o Tao segue o que é natural.” [6] Os seres humanos e a natureza existem numa relação harmônica no contínuo cosmos.
O Partido Comunista é um tipo de entidade. Entretanto, ele se opõe à natureza, ao Céu, à Terra, e à humanidade. É um espectro maligno que opõe ao universo.
VI. Algumas características da possessão do mal
Os órgãos do Partido Comunista nunca participam em atividades produtivas ou criativas. Uma vez que agarram o poder, eles se aderem ao povo, controlando e manipulando-os. Eles estendem seu poder até a unidade mais básica da sociedade por medo de perder o controle. Eles monopolizam os recursos de produção e drenam as riquezas da sociedade para si próprios.
Na China, o PCCh se estende por todo lugar e controla tudo, mas ninguém nunca viu o PCCh prestar contas publicamente, apenas o Estado, os governos locais e as empresas prestam contas. Do governo central até o comitê das vilas nas áreas rurais, os oficiais municipais são sempre classificados como inferiores aos membros do Partido, desta forma, o governo municipal tem de seguir as instruções do comitê do Partido Comunista no mesmo nível. As despesas do Partido são supridas pelas unidades municipais e contabilizadas no sistema municipal.
A organização do PCCh, como um gigante espírito maligno possessor, adere-se firmemente a cada unidade da sociedade chinesa como uma sombra seguindo um objeto. Ele penetra profundamente cada capilar e célula da sociedade como uma sanguessuga drenando a vitalidade e assim controlando e manipulando a sociedade.
Esta estrutura peculiar de possessão maligna já existiu na história da humanidade no passado, fosse parcialmente ou temporariamente. Porém, nunca esta estrutura operou por tanto tempo e controlou uma sociedade tão completamente como sob o regime do Partido Comunista.
Por esta razão, os lavradores chineses vivem na pobreza e sob trabalho tão árduo. Eles não apenas suportam os oficiais tradicionais do município, mas também um número similar ou maior de funcionários do Partido.
Por esta razão, os trabalhadores chineses perdem seus empregos em grandes números. O mecanismo onipresente e sanguessuga do PCCh tem extraído fundos de suas fábricas por muito anos.
Por esta razão, os intelectuais chineses sentem tamanha dificuldade em ganhar liberdade intelectual, pois além dos administradores, há sombras do Partido por todo lugar, não fazendo nada senão monitorando o povo.
De acordo com a ciência política moderna, o poder vem de três fontes principais: força, riqueza e conhecimento. O Partido Comunista nunca hesitou em usar o monopólio do poder e a força para roubar ao povo sua propriedade. Mais importante, ele privou as pessoas de sua liberdade de expressão e de impressa. Ele violentou o espírito e a força de vontade do povo para manter seu controle absoluto do poder. Por este aspecto, o controle rígido da sociedade exercido pela possessão maligna do PCCh dificilmente pode ser comparado com qualquer outro regime do mundo.
VII. Examine você mesmo e liberte-se da possessão do PCCh
No Manifesto Comunista, o primeiro documento pragmático do Partido Comunista, Marx proclamou em 1848 que, “um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo.” [7] Um século depois, o comunismo é mais do que um espectro perturbador, ele adquiriu um corpo material e concreto. Espalhou-se pelo mundo como uma epidemia, matou dezenas de milhões, tomou propriedades e a liberdade mental e espiritual de centenas de milhões.
A doutrina básica do Partido Comunista é tomar toda propriedade privada para eliminar a ‘classe exploradora’. A propriedade privada é a base de todos os direitos sociais, e geralmente sustenta a cultura nacional. Pessoas que tem sua propriedade privada roubada também perdem sua liberdade mental e espiritual. Podendo perder até mesmo a liberdade de reivindicar seus direitos sociais e políticos.
Diante de uma crise de sobrevivência, o PCCh foi forçado a reformar a economia chinesa na década de 80. Alguns direitos de propriedade foram restaurados ao povo. Isto criou uma enorme brecha no controle do aparelho de Estado do PCCh. Esta brecha tornou-se ainda maior com a busca desenfreada dos membros do PCCh por acumular fortunas para si.
O PCCh, um espectro maligno possessivo sustentado pela força, mentiras e a frequente mudança de sua aparência e imagem, agora começa a mostrar sinais de decadência, apreensivo com o menor distúrbio. Ele tenta sobreviver acumulando mais riqueza e acirrando ainda mais o controle, mas estas ações só servem para intensificar a crise.
Hoje, a China aparenta prosperidade, porém os conflitos sociais chegaram a um nível nunca visto antes. Usando técnicas de intriga política do passado, o PCCh poderá tentar recuar ou ceder de alguma forma, retificando o Massacre da Paz Celestial ou a perseguição ao Falun Gong, ou escolhendo e fazendo outro grupo seu inimigo, para desta forma continuar a exercer o poder do terror.
Os desafios enfrentados pela nação chinesa nos últimos 100 anos foram respondidos com a importação de armas, reformas do sistema, e do decreto de resoluções extremas e violentas. Inumeráveis vidas foram perdidas, e a maioria da cultura tradicional chinesa foi abandonada. Mas parece que estas repostas falharam. Quando a agitação e a ansiedade ocuparam as mentes chinesas, o PCCh aproveitou a oportunidade para entrar em cena, e eventualmente controlou esta última civilização antiga existente no mundo.
Em desafios futuros, o povo chinês terá inevitavelmente de escolher de novo, e não importa qual escolha seja feita, cada chinês deve entender que qualquer vestígio de esperança no PCCh apenas piorará o dano causado a nação chinesa e injetará novas energias no espectro maligno e possessivo do PCCh.
Devemos abandonar todas as ilusões, e examinar cuidadosamente por nós mesmos e sem ser influenciados por ódio, cobiça ou desejos. Só então, poderemos nos livrar do controle aterrorizante do PCCh exercido nas últimas décadas. Em nome de uma nação livre, nós poderemos reestabelecer a civilização chinesa baseada no respeito pela natureza humana e na compaixão por todos.
Notas:
[1] O Movimento de reforma de 1898 ou a Reforma dos cem dias foi uma reforma que durou de 11 de junho até 21 de setembro de 1898, totalizando 103 dias. Guangxu, o imperador da Dinastia Qing (1875-1908), ordenou uma série de reformas visando abrangentes mudanças sociais e institucionais. A oposição à reforma era intensa entre a elite conservadora reinante. Apoiada pelos ultraconservadores e com o tácito suporte do oportunista político Yuan Shikai, a imperatriz viúva Cixi orquestrou um golpe de Estado em 21 de setembro de 1898, forçando Guangxi, o jovem proponente da reforma, à reclusão. Cixi tomou o governo como regente. A Reforma dos cem dias terminou com a rescisão dos novos decretos e a execução de seis dos principais defensores da reforma.
[2] A Revolução democrática ou a Revolução Xinhai, nomeada em referência ao ano Xinhai chinês de 1911, foi a derrubada (10 de outubro de 1911 – 12 de fevereiro de 1912) da Dinastia Qing que reinava na China e o estabelecimento da República da China.
[3] O Movimento de quatro de maio foi o primeiro movimento de massa na história moderna da China, começando em 4 de maio de 1919.
[4] Cartas de Mao Tsé-Tung a sua mulher Jiang Qing, 1966.
[5] http://www.debates.org
[6] Tao Te Ching ou Dao De Jing, capítulo 25.
[7] http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000042.pdf
Capítulo 2: No início do Partido Comunista Chinês
Editorial The Epoch Times
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